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2º dia

 
 
 
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A noite foi tensa. A noite foi nebulosa. A noite fria e as lembranças do dia anterior, além da ressaca não me deixaram dormir direito.

 

Dormi mal no colchão cedido para mim e senti falta da minha cama e das camas macias dos hotéis por onde passei e dormi nos últimos anos. O cobertor fornecido era tosco e mal chegava perto dos que eu usei até o dia anterior. Passei frio e ali, onde eu estou, senti a falta também do aparelho de ar condicionado.

 

Levantei várias vezes de madrugada e quis dar uma tragada, mas não tinha cigarro. Quis dar um gole, mas havia ali apenas água e eu queria aguardente.

 

Em uma destas vezes que me levantei, aproximei-me da porta e bati. Um policial atendeu e lhe pedi algo para comer e ele me disse que isso ocorreria logo pela manhã. Meu estomago doía e pedi para que ele me arrumasse algo para beber e ele me disse que havia água ali e mesmo eu insistindo que queria algo com álcool, o policial, o qual não me esquecerei dele, disse que isso não mais me pertencia.

 

Voltei para a cama e deitando com a cabeça explodindo tentei dormir. Precisava beber algo, mas ali, naquele espaço, havia apenas água.

 

Deitado, virei de um lado para o outro e pensei no que estava acontecendo e por mais que eu tentasse me enganar, não dava porque eu estava de fato preso.

 

Sabia que em dois ou três dias, os advogados caríssimos que paguei daria um jeito de me tirar dali, pois eu tinha no bolso alguns ministros da suprema corte, mas eu precisava beber algo, mas nada havia a não ser água.

 

Senti pela primeira vez em anos, que meu mundo parecia ter terminado, mas eu ainda tinha cartuchos e na pior das hipóteses eu poderia usá-los, afinal haviam deputados, senadores, governadores, ministros e magistrados da suprema corte que me deviam pelo que lhes fiz, mas eu precisava beber e só havia ali, naquele espaço água.

 

Cochilei e acordei várias vezes, dezenas, centenas de vezes e quando acordava eu queria beber, mas ali só havia água. Queria conversar, mas naquele espaço havia apenas eu e mais ninguém e depois de muito sofrer o sono me vendeu e eu apaguei.

 

Acordei logo cedo. Senti que estava ficando deprimido. Precisava beber algo, mas só havia água naquele espaço para eu beber e de repente a porta foi aberta e eu sorri. Por um instante acreditei que meu habeas corpus havia chegado, mas que nada, era outro policial que após abrir a porta e dizer bom dia me entregou um pãozinho amanhecido e um pouco de café com leite.

 

Olhei para o policial, para o pão amanhecido e para o café com leite e maldisse a minha sorte. Eu não tinha nada meu, mas sim usava o que meus amigos me davam para usufruir e naquele momento eu tinha apenas o que o povo, que eu usei a meu favor durante anos me enviava para me alimentar.

 

Não sei o que será ou como será o meu dia hoje, mas sei que não suportarei isso por muito tempo, pois preciso beber algo alcoólico e me dão apenas água e apenas com isso não sei viver e hoje, um domingo, onde eu me fartaria lá fora de tanto comer e beber, sei que receberei de alimento, a mesma coisa que os demais presos e me e os amaldiçoei por isso, pois este é o mundo do povo burro e inculto e não de mim, o homem mais honesto e integro de todo o mundo.

 

(pensamentos de Luiz Inácio)

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