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6º dia

 
 
 
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Querido diário! Caraio! Querido porra nenhuma! Estou bitolando. Querido é coisa de viado e eu não sou de Pelotas e sim de Garanhuns. Sou cabra macho, mas também ninguém vai ler esta porra mesmo, então fica sendo querido mesmo.

 

Hoje foi um dia de merda. Mais um dia e nada de eu tomar uma birita. Aqui nesta porra desta cela só tem água e é água quente. A água geladinha foi só para me agradar nos primeiros dias.

 

Estou no sexto dia trancado aqui, mas hoje vou poder ir lá fora tomar um sol. Poder ir não. Irei junto com seis policias que me acompanharão por segurança, mas não para me proteger, mas para que eu não fuja, como se eu fosse fazer isso. Ah que saudade de quando faziam segurança para me proteger e hoje fazem segurança para me manter preso.

 

Cheguei a falar com um hoje. Estava precisando conversar e um deles falou comigo. Até pensei que ele fosse meu amigo e pedi se ele poderia me arrumar uma manguacinha, mas olhando bem na minha cada, o filho da puta riu e disse que a única coisa que eu iria tomar daqui para a frente seria água quente, suco no final de semana e alguma coisa sem álcool se trouxessem pra mim.

 

A merda é que meus filhos estão com medo de vir me ver, mas mesmo tremendo de medo e temendo ser presos vieram me ver e não quiseram ficar muito por aqui, temendo não saírem mais e a galega está escondida. Opa! Quase dei bandeira aqui no meu diário. Acho que vou colocar a galeguinha puxa saco na lista de amásia e ai quem sabe ela me traga comida decente e faça igual fazem as mulheres dos presos e traga uma birita pra mim dentro da perereca dela.

 

Voltei logo para a cela e fui ver a televisão e só falam mal de mim e depois fiquei sabendo por um polícia que os meus amigos do supremo resolveram manter o Paroci preso, mas depois me falaram que quem fez isso são os filhos das putas que votaram para me deixar aqui dentro e mais dois que votaram ao meu favor. Bando de cornos, pois se não fosse isso eu teria mais chance, mas acho que vou me foder por causa disso.

 

Fiquei sabendo também que a grana está acabando e que a cadelinha está fazendo campanha para arrumar dinheiro para manter os bestas lá fora fazendo vigília para atrair a atenção da televisão e causar sensacionalismo e fiquei aqui pensando que a cadelinha e a minha turma foram bem capazes de roubar tudo que eu deixei lá com eles para cuidarem de mim. Vai ser outra tarde e noite de merda.

 

Preciso beber e aqui só tem esta porra de água quente. Preciso de uma birita e amanhã, pelo que me falaram, a filha da puta da Carmem assume a minha cadeira e ai fica ainda mais difícil. Sexta treze e a Carmem na minha cadeira é coisa para enlouquecer qualquer um e se não me soltarem até segunda feira eu vou entregar todo mundo. Quero beber e não agüento mais beber água. Estou ficando deprimido. Quero ir embora, mas parece que acabou porque ninguém aqui quer me ouvir.

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