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Título   Ataque ao poder Gênero Policial
 
     
     
   
     
 

 

Ataque ao poder

 

Título original: Ataque ao poder

                       Attack on power

 

Romance / Ação / Policial

edição

 

Copyright© 2020 por Paulo Fuentes®

Todos os direitos reservados

 

Este livro é uma obra de ficção.

Os personagens e os diálogos foram criados a partir da imaginação do autor.

 

Autor: Paulo Fuentes

Preparo de originais: Paulo Fuentes

Revisão: Sônia Regina Sampaio

Projeto gráfico e diagramação:

Capa: Paulo Fuentes

 

Todos os direitos reservados no Brasil:

Paulo Fuentes e El Baron Editoração Gráfica Ltda.

 

Impressão e acabamento:

 

 

Registrado efetuado:

 

 

 Apoio Cultural:

 

 

PRÓLOGO

 

 

Palácio do Planalto, Brasília, 25 de janeiro de 2029.
10:15 AM

 

- Bom dia tarde capitão!

- Bom dia, mas não sou capitão! Sou apenas um cabo.

- Não é ainda, mas sei que em pouco tempo será capitão e depois major.

- Quem me dera. Sou apenas o cabo Sandoval! Respondeu o soldado envaidecido.

- Por acaso o presidente já chegou?

- Já sim! Chegou faz meia hora mais ou menos.

- Posso ir lá me encontrar com ele?

- O senhor tem hora agendada? Perguntou o cabo.

- Sou amigo pessoal dele. Posso ir até o saguão da recepção pedir para me anunciarem para o chefe de cerimonial?

- Claro! Sabe onde fica?

- Sim! Já vim aqui mais de uma vez.

- Então pode ir e bom dia!

- Bom dia para o senhor também futuro capitão. Sandoval, não é?

- Sim! Isso mesmo.

 

Aquele homem agradável que nem lhe dissera o seu nome desceu a pequena rampa. Saiu por baixo da passarela e encaminhou-se até a entrada do hall de acesso ao palácio e acompanhando-o com os olhos o cabo sorria pelo elogio que recebera e quem sabe, ele sendo amigo do presidente lhe recomendasse a promoção jamais sonhada poderia acontecer. Olhou-o até que ele adentrasse no saguão.

 

- Bom dia! O presidente já chegou?

- Já sim senhor! Respondeu uma jovem na recepção.

- Eu poderia falar com ele?

- O senhor tem hora agendada?

- Não, mas sou amigo dele.

- Posso saber o seu nome?

- Claro! Meu nome é João Paulo Gutierrez.

- Um momento que irei ligar para o chefe de gabinete.

- Claro! Eu aguardo.

 

A jovem saiu para ligar e João Paulo ficou ali olhando detidamente para as estruturas do local e estava atento aos detalhes memorizando tudo até que a jovem lhe interrompeu.

 

- Senhor! O chefe de gabinete disse que não tem nada agendado e o presidente está reunido agora com o ministro da fazenda e da economia e que vai demorar.

- Poxa! Acho que eu deveria ter ligado para ele antes de vir para cá.

- Ligado par ao chefe de gabinete? Perguntou a jovem curiosa.

- Não linda jovem! Eu deveria ter ligado direto para o presidente.

- O senhor o conhece pessoalmente? Perguntou ainda mais curiosa.

- Somos amigos de infância, mas irei ficar aqui em Brasília por mais três dias e ligo mais tarde para ele.

- Quer que eu peça para o chefe de gabinete lhe atender e falar com o senhor?

- Não será necessário! Eu ligo para o presidente mais tarde. Obrigado e boa tarde.

 

Nem esperou a jovem lhe responder e saiu retornando para a saída e ao passar pelo posto onde estava Gutierrez este já havia sido substituído. Saiu atravessou a avenida da praça dos três poderes e sem pressa foi em direção ao Supremo Tribunal Federal, mas chegando lá o contornou e atravessando toda a praça parou, entrou em um automóvel filmado e foi embora.

 

 

CAPÍTULO 01

 

Supremo Tribunal Federal, Brasília, 25 de janeiro de 2029.
10:15 AM

 

- Bom dia!

- Bom dia senhor!

- Eu poderia falar com o ministro José Roberto Arruda!

- Ele não chegou ainda senhor! Só depois das 13:00 horas.

- Ah é verdade! Nem me ative na hora. Me perdoe.

- Imagina, mas quer falar com o chefe de gabinete dele?

- Se fosse possível sim!

- Qual é o seu nome senhor?

- José Paulo Gutierrez!

- Um momento por favor! Pediu o segurança indo fazer a ligação.

 

João Paulo ficou ali olhando as estruturas do prédio e anotou algumas coisas em um bloco enquanto o segurança fazia a ligação.

 

- Senhor! Ele vai lhe atender e pediu que aguarde só uns minutos.

- Obrigado! Eu vou aguardar.

 

Dez minutos se passaram e João Paulo se aproximou do segurança e alegando ter surgido um compromisso urgente ele não poderia esperar mais e que voltaria mais tarde.

 

- Ele já deve estar vindo senhor!

- Não vou poder esperar. O assunto que tenho que resolver se tornou de urgência, mas volto mais tarde. Obrigado!

 

Não disse mais nada e saiu. Desceu as escadas laterais e seguiu para o final da praça dos três poderes e logo depois entrou em um veículo filmado e foi embora. Na recepção o chefe de gabinete chegando perguntou sobre a pessoa e informado que ele teve que sair para resolver um problema, este, virou as costas e retornou para seus afazeres.

 

 

CAPÍTULO 02

 

 

Congresso Nacional, Brasília, 25 de janeiro de 2029.
10:15 AM

 

- Bom dia senhorita!

- Bom dia senhor!

- Gostaria de falar com o senador Adalberto dos Santos Pinto.

- Só com ele senhor?

- Somente com ele!

- Acredito que ele não esteja no prédio hoje. Poderia ser com algum assessor?

- Infelizmente não senhorita! É assunto pessoal.

- Poderia saber o seu nome?

- Claro! Meu nome é João Paulo Gutierrez. Vou perguntar para o assessor quando que ele estará aqui.

  

A jovem ligou para a assessoria do senador e João Paulo detidamente prestou atenção na estrutura do prédio e estava alheio a tudo quando a jovem lhe interrompeu lhe informando que o senador só voltaria na próxima terça feira.

 

- Não tem problema! Eu vou ficar uns dias aqui na capital federal e retorno na semana que vem. Obrigado!

 

Saiu antes que ela lhe dissesse alguma coisa mais. Já tinha visto e anotado em um rascunho o que lhe interessava. Um automóvel com vidro filmado o aguardava. Entrou e saíram dali rapidamente.

 

 

CAPÍTULO 03

 

Brasília, 25 de janeiro de 2029.
12:17 AM

 

 

Três veículos de cor preta, todos com vidros escurecidos entraram praticamente ao mesmo instante dentro de uma propriedade de alto padrão próximo ao lago Paranoá. Dentro de cada um deles, no banco traseiro estavam sentados João Paulo Gutierrez e tão breve o veículo parou os três desceram e acessaram quase que ao mesmo tempo a belíssima residência e se dirigiram a uma sala ricamente mobiliada.

 

- Viram tudo que necessitava ser visto nos locais?

- Sim senhor!

- E o que tem a me apresentar? Como foram nos três locais?

- Às 10:15 entrei no saguão do Palácio do Planalto. Disse um deles.

- Às 10:15 adentrei no saguão do Congresso Nacional. Citou outro.

- Às 10:15 acessei o hall de entrada do Supremo Tribunal Federal. Finalizou o terceiro.

- Se apresentaram como combinado?

- Sim senhor! Dissemos que nosso nome era João Paulo Gutierrez. Disseram os três.

- Prestaram atenção nas estruturas?

- Sim senhor! Cada detalhe e onde deverão ser colocados os explosivos que causarão a ruptura dos prédios senhor.

- Perfeito! Me mostrem onde acreditam que deverão ser colocados os explosivos. Disse o que seria o chefe deles.

 

Colocou sobre a mesa três plantas. Uma de cada um dos prédios e cada um deles assinalou os locais onde deveriam ser colocados os explosivos que derrubariam os três prédios que compunham o poder supremo do país.

 

O que dava ordens para os outros três conhecia bem os locais, mas não poderiam haver falhas na operação e aquele seria um trabalho que mudaria os rumos daquele país, que para ele representava o caos e com isso, derrubariam de vez o sistema corrupto do país.

 

Brasília, para ele, era apenas o começo da destruição que havia programado para pôr fim naquele sistema que o seu superior tinha em mente para mudar de vez os destinos de uma nação.

 

P, como se denominava o que comandava os outros três os liberou e logo em seguida pegando um telefone decodificado fez uma ligação.

 

- Alô! Disse uma voz do outro lado da linha.

- Os comandados estiveram nos locais e como eu já havia previsto deixaram um nome único em cada local.

- Que nome usaram?

- João Paulo Gutierrez senhor! Respondeu P.

- Como estavam trajados?

- Os três usavam ternos idênticos, todos de cor preta e usando máscaras idênticas, além dos óculos de sol.

- Acredita que eles nas câmeras parecerão ser a mesma pessoa?

- Com certeza senhor! Se eu não os conhecesse diriam ao ver as câmeras que eram a mesma pessoa.

- Perfeito! Respondeu sorrindo a voz do outro lado da linha telefônica.

- Quando pretende realizar o trabalho senhor?

- Daqui a uma semana. Antes disso as equipes deverão explodir alguns alvos menores, mas todos os ataques deverão ser comunicados às autoridades a fim de que eles fiquem ocupados.

- Comunicar às autoridades senhor?

- Sim! Vou lhe passar os detalhes de como proceder.

- Ficarei no aguardo das ordens senhor! Respondeu P e desligaram os telefones.

 

P fora contratado pelo chefe misterioso pois era um especialista em estratégias de guerra e sabia bem comandar seus soldados. Já seu contratante que para P era um mistério remexeu-se em uma confortável poltrona de couro puro e ficou olhando pela ampla janela que tinha à sua frente. Chegava o momento de mostrar ao povo, ao país e ao mundo que, se não conseguiam mudar as coisas pelo desejo de toda uma população através dos votos nas urnas manipuladas era chegada a hora de resolver de outra forma.

 

- Se não dá para mudar pelo amor, que eles sintam a mudança pela dor. Falou consigo.

 

Sorriu tristemente ao ter aquele pensamento. Estava cansado de ver um país carcomido por um sistema corrupto e comandados por seres desprezíveis que tinham apenas uma coisa na cabeça que era se darem bem sem preocupar-se com o sofrimento de um povo omisso e covarde que eram manipulados eleição após eleição.

 

- Chega de inércia! Este país jamais será o mesmo depois disso, doa a quem doer. Disse em voz alta desta vez.

 

 

CAPÍTULO 04

 

Alheios aos pensamentos do contratante que P denominava para si mesmo de Y saiu do escritório e logo em seguida pegando um dos veículos que possuíam saiu da bela residência. Queria colocar os pensamentos em ordem pois sabia que muitas coisas haveriam de ser realizadas nos próximos dias e queria estar pronto para o trabalho. Dentro ficaram os três soldados contratados que naquele momento retiravam às máscaras perfeitas que os deixaram com a mesma aparência visual.

 

Quase que ao mesmo tempo os três se olharam, cada qual em uma suíte para seus próprios rostos e sorriram, pois, de fato nada havia parecido entre os seus rostos e ao personagem criado caracterizados por máscaras idênticas, porém, a única coisa que tinham em comum eram que seus corpos físicos eram praticamente idênticos. Mesma altura, praticamente o mesmo peso e os três eram preparados para o que viria a seguir. Eram profissionais na arte da guerra e todos já haviam passado por várias missões. Eram três mercenários à serviço de quem pagava por seus préstimos os quais realizavam sem questionar.

 

P ao sair da residência onde estavam utilizando de base para as operações olhou para trás e ficou tentando imaginar quem seria o seu contratante. Não o conhecia, mas sabia que era uma pessoa abastada, pois as despesas de toda aquela operação não eram pequenas. Na verdade, uma verdadeira fortuna seria desprendida na realização daquelas operações e somente ele tinha conhecimento em parte do que seria.

  

Sabia que muita gente deveria morrer naquelas operações, mas não se preocupava com isso. Era, em tese, um homem duro talhado pela luta combatendo em vários lugares do planeta. Era um soldado que seguia ordens independente do que quer que fosse e quem o contratara sabia bem que ele saberia montar uma equipe de confiança e competente que seguiram à regra o que lhes fossem ordenados.

 

Porém, P, na sua vida real, além de ser um combatente tinha um fraco. Possuía uma filha que amava muito, mas esta, jamais soubera o que era na verdade seu pai e ele, demorara muito para voltar a ter contato com ela, pois como viajava direto mundo afora, muito tarde foi que descobrira que tinha tido esta filha gerado de um relacionamento que tivera com uma jovem a alguns anos atrás e só veio a saber de sua existência quando certo dia recebeu uma carta em um local que nunca estava da mãe de Bianca que lhe informara sobre a filha que tinha.

 

Foi um choque na época, pois estava longe e quem lhe passara esta notícia fora uma pessoa de sua confiança estrema que lhe reportava o que recebia naquele endereço e seu amigo e confidente este lhe dissera que havia recebido uma carta de uma pessoa de nome Jussara que em breves palavras descrevera sobre a menina e que só lhe estava escrevendo porque estava com uma doença grave e degenerativa, já nas portas da morte e não queria deixar a filha sem ter alguém para cuidar dela.

 

P ao receber a notícia não sabia o que dizer, pois jamais pensara em ter uma família. Não podia ter uma porque sabia que de uma hora para a outra em uma das missões poderia morrer e família para ele era um luxo que não podia ter, mas ao receber as fotos daquela menininha não se conteve e resolveu voltar para o Brasil e foi ao encontro de seu passado desconhecido.

 

Conseguiu ainda chegar a tempo de ver Jussara e ao olhar para ela viu que havia apenas um pequeno fio do que ela fora quando a conhecera no passado. Jussara estava morrendo. Seu corpo estava debilitado e após conversar com ela soube que não teria mais nem uma semana de vida.

 

Jussara fez questão de chamar a pequena Bianca e lhe dizer que aquele era seu pai e que ela o perdoasse por jamais ter comunicado a ele sobre a sua existência e após as apresentações a comoção imperou no local entre P e a menina na ocasião com 12 anos de idade e mais ainda porque Jussara após comunicar isso acabou falecendo.

 

P estava aturdido. Tinha naquele momento nas mãos uma filha que não conhecia, mas que era inevitável dizer que ela não seria sua, pois era a sua cara.

 

Bianca era uma menina meiga, doce e educada. Possuía cabelos castanhos encaracolados e olhos penetrantes, verdes iguais aos seus e uma coisa que não lhe deixou sossegado. Bianca estava se tornando mulher. Uma menina mulher com um corpo perfeito e que só de olhar já dava para ter a certeza de que se não cuidasse dela com certeza apareceriam espertinhos que tentariam seduzir sua filha.

 

Não sabia o que fazer, mas como já tinha cumprido seus compromissos de trabalho pode dar um tempo para si mesmo e para sua filha que aos poucos foi conquistando sua confiança e sentia no decorrer dos dias que ela já o amava assim como ele estava amando-a. os pensamentos voaram e ele estacionou o automóvel e ficou olhando para as águas do lago Paranoá. Sua mente voltou para o tempo em que encontrara Bianca e recordou-se que depois que a encontrou meses se passaram e ele havia mudado sua vida. Bianca morava com a mãe em uma pequena cidade do Paraná e P a levou para morar com ele em uma grande cidade interiorana do estado de São Paulo.

 

A vida de ambos mudara por completo. P praticamente se aposentou da vida errante e Bianca tornou-se a sua razão de viver. Colocou-a em uma escola de freiras bem estruturada e orgulhava-se ao ver como ela se comportava no dia a dia.

 

Bianca era cortês com todos. Amava ler e dedicava-se a ajudar as pessoas e apegou-se muito a Deus. Na escola era considerada pelas madres como a melhor aluna da classe e da escola. Suas notas sempre eram as melhores e o seu desempenho dentro do núcleo escolar era digno de elogios. P estava feliz. Sua filha estava feliz e isso era o que lhe importava.

 

Não tinha problemas financeiros. Pelo contrário. Poderia se dizer que P era um homem muito bem abastado e que poderia até se aposentar apesar de ter apenas 42 anos de idade, mas deixou o tempo ir passando e curtindo a vida ao lado daquela menina que crescia e se desenvolvia em todos os sentidos e olhando para a calmaria daquela água do lago deixou sua mente voar para o passado presente meio distante.

  

Dois anos e meio se passaram e de fato P já se sentia um homem aposentado daquela vida errante. Cortara todos os seus contatos e mudara de vida e quem o via jamais diria que ele, aquele jovem pai havia sido um dos homens mais perigosos que havia existido contra os homens do mal e que causava mal aos demais, pois P havia se tornado um mercenário, mas jamais eliminou qualquer pessoa que fosse do bem. Lembrou-se em detalhes que se encontrava em paz até que seu contato lhe comunicou que uma pessoa o havia procurado.

 

- Procurado como? Perguntou ele.

- Recebi uma mensagem por e-mail de um homem sem nome que disse necessitar de seus préstimos profissionais.

- Estou aposentado meu amigo!

- Foi o que eu disse para ele, mas ele insistiu nas mensagens e disse que era por uma causa importante e de combate às injustiças.

- Não posso mais me envolver. Tenho uma filha com 15 anos de idade que precisa de mim.

- Não disse sobre sua filha, mas disse que você estava aposentado.

- Verdade! Disse tudo. Estou aposentado e feliz.

- Também respondi isso a ele, mas ele pediu para que entrasse em contato com ele sem compromisso e me deixou um número de celular o qual alegou ser um número decodificado.

- Não irei ligar para ele.

- Também disse isso para ele, mas ele insistiu e disse que iria gostar de ouvi-lo.

- Acha mesmo que eu iria gostar?

- Não sei lhe dizer isso. Respondeu seu amigo sorrindo.

- Não! Eu não quero saber mais disso.

- Não sente falta de sua vida errante?

- Não! Estou bem como estou. Respondeu P sem muita convicção.

- Posso ser sincero?

- Claro! Sabe que o admiro por sua sinceridade.

- Acho que deveria ligar para esta pessoa e saber o que ele quer.

- Ligar e deixar esta vida de aposentado que levo ao lado de minha filha que eu amo?

- Eu disse ligar e não de aceitar o que ele quer. Respondeu seu amigo sorrindo.

- É verdade! Posso ligar apenas para saber o que ele deseja e nada mais.

- Posso te perguntar uma coisa pessoal?

- Claro! Pode sim. O que é? Disse P curioso.

- Sei que está feliz ao lado de sua filha Bianca, mas lá no fundo, bem lá no fundo não sente saudade de sua vida errante?

- Estaria mentindo se lhe dissesse que não, pois minha vida sempre foi de pura adrenalina, mas agora tenho uma razão para estar em paz e aposentado.

- Se está bem e feliz quem seria eu para dizer o contrário, mas acho que deveria ligar para este homem misterioso.

- Tem certeza de que é um homem? Perguntou P sorrindo.

- Ah! Sei lá. Parece ser, mas se não quer não direi mais nada.

- Já conheço este seu jeito de não pedir mais nada. Me passa o número que irei ligar sem compromisso.

- Já enviei o número para o seu aplicativo. Respondeu seu amigo sorrindo.

- Você não vale nada. Disse P sorrindo também.

 

Desligaram o telefone e por curiosidade P foi ver a mensagem recebida e era prefixo da cidade da grande São Paulo. Olhou para o número. Olhou para a rua. Olhou de novo para o aparelho e ficou na dúvida de ligar ou não.

 

Na verdade, não queria ligar. Bianca se tornara a razão de seu viver, mas a curiosidade ou a adrenalina o fez ficar entre o ligar ou não e resolveu deixar para lá e deixou o aparelho de lado. Logo iria ir buscar Bianca e iriam almoçar fora.

 

Chamou a governanta da casa em que moravam, uma pessoa de sua inteira confiança e que era amada por Bianca e que sabia que o sentimento era recíproco e lhe comunicou que estava saindo para ir buscar sua filha amada e logo depois saiu. Encontrou-se com sua filha. Almoçaram e voltaram para casa e ao voltar lá estava seu celular onde o deixara e depois que ficou a sós o desejo foi mais forte e pegando o telefone ligou.

 

 

CAPÍTULO 05

 

- Alô! Respondeu a voz do outro lado da linha.

- Estou ligando porque sei que está me procurando.

- Estava sim e fique tranquilo que este número é protegido e sem risco de ser grampeado ou ouvido por outra pessoa.

- Pois não! O que deseja de mim?

- Preciso de seus préstimos, mas antes disso, como prefere ser chamado?

- Estou aposentado e pode me chamar por P.

- Aposentado?

- Sim! Me aposentei e não quero mais voltar para meu ex trabalho.

- Tem certeza disso?

- Absoluta!

- Nem se a causa for justa?

- Não! Estou aposentado. Obrigado!

- Não quer me ouvir?

- Posso saber como chama-lo?

- Pode! Se você é P me chame de Y. fica bem assim?

- Ótimo! Fica sim, mas como lhe disse Y, eu me aposentei.

- E se a causa fosse para mudar o nosso país?

- Mudar o país? Perguntou P curioso.

- Sim! Mudança radical e completa.

- Não irei aceitar, pois me aposentei.

- Apenas ouça, pode ser?

- Pode, mas advirto que irá falar à toa porque não irei aceitar.

- Tudo bem. Posso falar?

- Pode!

- O que você acha da política brasileira?

- Era sobre isso que queria me falar? Perguntou P sorrindo.

- Calma! O que acha?

- Estou meio afastado das coisas e não gosto de políticos.

- Ótimo! Bom saber que não gosta deles.

- O que isso tem a ver com o que queria me falar?

- Calma que eu explico, mas o que você acha da política e não apenas dos políticos do país?

- Ah! Acho que o país está um caos, apesar de eu não querer me meter nisso.

- E se houvesse uma forma de consertar o caos?

- Consertar o caos neste país? Impossível.

- Não! Não é!

- Vai me dizer que conseguiria fazer milagre?

- Digamos que se me ajudar poderemos fazer os milagres acontecerem.

- Não entendi! Eu te ajudar a fazer milagre?

- É!

- Como? Perguntou P ainda mais curioso.

- Tenho a sua atenção?

- Tem! Confesso que fiquei curioso, mas não quer dizer que eu vá me desaposentar.

- Só me ouça está bem!

- Estou ouvindo!

- Como se cura o mal?

- Com fé e remédios.

- E se o mal for cruel?

- O mal sempre é e sempre será cruel.

- E se a opção que eu tenho é de acabar de vez com a corrupção no país?

- Aí eu diria que você é mágico, doido ou um sonhador.

- Garanto que não sou nenhum dos três, mas garanto que os que vierem depois terão medo de serem corruptos e destruírem com o povo humilde.

- O que tem em mente? Perguntou P se ajeitando na poltrona que tinha acabado de sentar.

- Se interessou?

- Não, mas fiquei curioso.

- Você já realizou vários negócios fora do país eliminando o mal, não foi?

- Foi, mas isso já faz parte do passado.

- Você não combateu ditadores e criminosos?

- Isso faz parte do passado.

- Você não lutava sempre por causas justas?

- Sim, mas isso já passou?

- Será mesmo que passou?

- Passou!

- Vou ser bem objetivo com você. Posso?

- Deve, mas volto a afirmar que não me interessa.

- Sei que seu nome não é P da mesma forma que sabe que o meu não é Y e isso não importa em nosso caso.

- Nosso caso?

- Modo de dizer.

- Ah! Sim.

- Vou ser prático.

- Seja! Respondeu P já ficando cansado.

- E se eu te contratasse para que formasse uma equipe de sua confiança para varrer de nosso país está corja de políticos corruptos?

- Varrer eles todos?

- Sim! O que me diria?

- Que você é doido. Respondeu P sorrindo.

- Não sou! Tenho o recurso e preciso de um homem com o seu gabarito.

- Você está falando sério?

- Estou sim!

- Tem noção do que está me propondo, caso eu aceitasse?

- Sim!

- Você só pode estar doido ou muito revoltado.

- Não sou doido, mas cansei de ver a inércia deste povo omisso e covarde.

- Você diz isso para ser realizado, em tese, na capital federal?

- Começando por lá.

- Nos estados também?

- Se após o ato de limpeza na capital da República não servir de exemplo, sim.

- Tem idéia de que seria necessário para isso?

- Sim! Um comandante e uma equipe bem formada.

- Uma equipe bem formada custa caro. Muito caro.

- Dinheiro não será problema.

- Os custos, te garanto, seriam altíssimos.

- Sem problema.

- Teria que ter toda uma estrutura com equipamentos e várias coisas.

- Sem problema também. Veja o que precisa que eu banco as despesas.

- Espera ai! Eu não disse que aceitaria.

- Mas também não disse que poderia pensar.

- Tem certeza do que está querendo fazer?

- Sim! Por um fim nestes corruptos canalhas.

- Você está querendo eliminá-los?

- Sim!

- Matá-los?

- Matar é uma palavra forte. Digamos apenas que os banir deste mundo.

- É a mesma coisa. Disse P sorrindo.

- Pode até ser, mas banir é mais suave que matar.

- Digamos que seu plano siga em frente, poderão haver perdas inocentes.

- Qual é a população do país?

- Acredito que gire em torno de 240 milhões de habitantes.

- Quantos inocentes acredita que haja lá nestes locais?

- Nem tenho idéia. Respondeu P.

- Por mais que tenham lá nestes locais serão poucos pela causa que tenho em mente.

- Mas seriam pessoas inocentes de qualquer forma.

- Pessoas morrem todos os dias em todos os lugares e muitas são inocentes.

- Mas não que eu tivesse eliminado.

- Nunca eliminou um inocente no trabalho que fez nem por acidente?

- Apenas uma pessoa e isso me deixa sem sono muitas vezes.

- Porque a eliminou?

- Ela estava no lugar errado na hora errada.

- Pois é! Foi o que eu disse.

- Me perdoe, mas não me interessa.

- Pense com calma e depois me responda. Preciso de você porque sei que é o mais indicado para esta missão de limpeza.

- Não me interessa mesmo.

- Pense! Reflita. Saia para as ruas. Olhe o povo ao seu redor. Veja a TV, acompanhe a vida corriqueira. Vá em algum hospital. Veja o que está ao seu redor e depois me responda.

- Vou fazer isso, mas já advirto que a priori não me interessa.

- Aguardo um retorno teu e lembre-se que, dinheiro não será problema e será muito bem remunerado pela missão.

- Tudo bem! Irei pensar.

 

Desligaram o telefone e P ficou pensando naquela conversa maluca. O que Y havia lhe dito era algo sem pé e nem cabeça. Ele pretendia eliminar toda uma classe politiqueira da capital federal e isso queria dizer que seriam centenas de pessoas e seria um trabalho muito grande e teria que ter uma imensa equipe e não gostava de trabalhar com muita gente. Não aceitaria aquilo. Estava bem em sua nova vida de aposentado.

 

 

CAPÍTULO 06

 

P não queria se envolver mais naquelas viagens e trabalho de caçar bandidos fossem eles quem fossem, mas a idéia daquele maluco com quem acabara de falar era uma medida de choque que mudaria de fato tudo que havia de crueldade e golpes contra uma população carente e que não fazia nada por medo.

 

- Papai! Chamou Bianca.

- Oi filha! O que foi?

- Nossa! Estava no planeta Júpiter?

- Júpiter!

- É! Estava longe. Achei que tinha pegado uma nave espacial e estivesse passando pela lua em direção à Júpiter. Respondeu Bianca sorrindo.

- Ah! Não filha! Eu estava pensando umas coisas aqui.

- Que coisas? Posso saber?

- Nada não minha amada filha. Coisas do dia a dia.

- Vai haver uma reunião lá na escola amanhã e queria te convidar para ir comigo.

- Reunião do que?

- Sobre ajuda humanitária.

- Ajuda humanitária?

- Sim! Isso mesmo.

- Tem disso lá na escola?

- Papai! Em que mundo você está vivendo?

- Porque?

- Não está vendo o que acontece no país?

- O que está acontecendo no país?

- Não está vendo o caos?

- Caos?

- Ih! Acho que tem que ver mais televisão ou sair para a rua papai.

- Nossa! Agora fiquei preocupado. Será que estou tão por fora assim?

- Posso garantir que está e se for por mim não se preocupe porque já estou bem grandinha.

- Está certa. O que vai fazer agora?

- A Roberta me ligou e está vindo aqui para prepararmos o trabalho para apresentar amanhã, porque?

- Não se incomoda se enquanto vocês fazem o trabalho eu saia um pouco para dar umas voltas?

- Aleluia! Até que enfim vai sair um pouco.

- Não se incomodaria?

- Claro que não! Você vive muito só. Acho que precisa arrumar uma namorada.

- Pode parar com isso! Tenho uma filha para cuidar.

- Pode parar você! Já lhe disse que estou grandinha.

- Tudo bem! Vou dar umas voltas pela cidade e volto logo.

- Fique tranquilo que estarei aqui quando voltar.

 

P se levantou no mesmo instante que Roberta chegava. A cumprimentou e depois pegando a chave do automóvel e saiu sem rumo.

 

Rodou por várias ruas e se lembrou das palavras de Y e resolveu ir até um hospital público que distava a uns cinco quilômetros dali de onde estava. Não demorou para chegar e chegando olhou para o povo em busca de ajuda naquele local. Estranhou o movimento. Estacionou, desligou o veículo e desceu.

 

Rumou para aquele amontoado de pessoas e olhou para o relógio. Nele marcava 15:19 horas. Aproximou-se e entrou no meio das pessoas que ali estavam e ficou assustado com o que estava ouvindo. Palavras e mais palavras de reclamações, de dor e de decepção de um povo humilde.

 

- O que está acontecendo senhora? Perguntou.

- Estou aqui desde as cinco da manhã com meu marido e não conseguimos fazer com que ele seja atendido e estou vendo que ele irá morrer aqui na porta do hospital.

- O que ele tem?

- Já nem sei mais o que ele tem, porque ele está sentindo dores pelo corpo todo.

- Deixe-me ver o que consigo lá dentro. Me aguarde um pouco.

 

Lembrou-se nos mínimos detalhes que rompeu a barreira de dos policiais civis que faziam a segurança do local e entrou em uma recepção que estava um verdadeiro caos. Aproximou-se do balcão e viu que as atendentes corriam de um lado para o outro.

 

- O que está havendo aqui moça?

- O inferno caiu sobre nós.

- Como assim?

- Não está vendo? Algo grave está acontecendo ou todo mundo resolveu ficar doente ao mesmo tempo e não temos como atender todo mundo.

- Vocês não têm médicos aqui para atender as pessoas?

- Ter nós temos, mas não para todo mundo ao mesmo tempo e me desculpe mas tenho que correr aqui.

- Quem é o diretor do hospital?

- É o doutor Orlando e se quer falar com ele siga por este corredor e chegará na sala dele.

 

P saiu dali da recepção e caminhou pelo corredor até chegar em uma porta que tinha o nome do médico citado pela jovem da recepção. Aproximou-se e bateu na porta.

 

- Entre! Ouviu uma voz dizendo.

 

Entrou e viu um senhor que estava falando com alguém no telefone. Esperou.

 

- Secretário! Isso aqui está um inferno e não consigo atender todo mundo.

 

Não ouviu que o tal secretário dizia, mas preferiu esperar. Ficou de pé calado aguardando.

 

- Já lhe disse que deve ser uma epidemia porque parece que todos os munícipes vieram para cá ao mesmo tempo e não estamos dando conta.

 

Pausa para que o outro falasse e P continuou ali quieto aguardando.

 

- Cacete! Acha que estou de brincadeira? Se acha venha aqui e confira o que estou dizendo.

 

Nova pausa para que o tal secretário falasse e P continuou ali perfilado esperando e esperou até que o diretor desligou indignado.

 

- Parece que a coisa está feia por aqui. Disse calmamente para o diretor.

- Me desculpe pelo desabafo ao telefone, mas a feia é pouco pelo que está ocorrendo aqui hoje.

- Percebi! Está parecendo a sucursal do inferno lá fora.

- Acho que nem o inferno estaria deste jeito hoje, mas quem é o senhor?

- Meu nome é Sandro Barusky. Mentiu P.

- Muito prazer senhor Sandro, mas no que posso lhe ajudar se é que posso.

- Não sei se pode, mas eu estava passando de automóvel aqui na frente quando resolvi descer para ver o motivo deste tumulto e olha que nem disso eu gosto e nem sei porque desci, mas vi uma senhora lá na frente que está aqui desde as cinco da manhã com o marido se desmontando em dores atrozes e resolvi entrar e acabei aqui.

- Seria injusto eu passar alguém na frente, mas mais injusto é deixa-lo lá fora sofrendo. Um dos guardas o ajudará e o trará aqui para dentro.

- Obrigado doutor! Nem sei como lhe agradecer.

- Quer me agradecer? É fácil! Só acabar com estes políticos safados. Aí estaria me ajudando.

- Como? Perguntou P surpreso.

- Nada não! Modo de falar, mas estou cansado de vê-los não fazendo nada e a população sofrendo. Alguém tinha que acabar com isso.

- Entendo o que quer dizer, mas obrigado novamente.

 

P saiu da sala do doutor Orlando e um segurança com uma maca o acompanhou e lá fora o marido daquela senhora foi colocado nela e levado para dentro onde o próprio doutor Orlando cuidou dele. A senhora não sabia como agradecer a P e este comovido saiu do hospital com uma certeza na cabeça. A de que alguém tinha realmente que fazer algo para mudar aquele país.

 

P foi direto para casa e chamando Dolores disse que teria que se ausentar alguns dias e se ela poderia cuidar de Bianca para ele.

 

- Claro senhor! Cuidarei dela como se fosse uma neta minha, mas ela já sabe que vai ter que viajar?

- Ainda não! Direi assim que Roberta for embora.

 

P esperou que Roberta saísse e chamou Bianca para conversar reservadamente.

 

- Filha! Você me disse que eu deveria sair um pouco não foi?

- Sim papai! Isso mesmo.

- Pois é! Sai sem rumo e de repente estava diante do hospital e lá me deparei com um verdadeiro caos.

 

Com calma P contou para Bianca tudo o que havia ocorrido até que aquele senhor que ele nem sabia o nome fora levado para dentro e que o próprio diretor do hospital o atendera.

 

- Papai! Posso te contar uma coisa?

- Pode sim! O que é?

- Tenho muito orgulho de ser sua filha. Você é o meu herói.

- Obrigado por suas palavras filha, mas tenho mais algo para te falar.

- Até imagino o que seja.

- Como imagina?

- Você vai me dizer que irá viajar, não é?

- Porque diz isso?

- Não sei! Vejo isso em seus olhos e sei que não quer ir, mas por outro lado sei que se for será porque fará algo para melhorar as coisas.

- Ei! Tem bola de cristal por acaso?

- Intuição e se é isso que quer me dizer sei que Dolores cuidará bem de mim na sua ausência, mas quero que me prometa algo.

- O que?

- Que voltara logo e bem.

- Prometo sim! Só irei fazer um trabalho fora e voltarei rapidinho. Pode contar com isso.

 

P abraçou sua filha com carinho e dois dias depois embarcou para Brasília.