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Título   Covid Gênero Drama
 
     
     
   
     
 

 

 

Título original: Covid-19

                      

Romance / Ação / Drama

edição

 

Copyright© 2020 por Paulo Fuentes®

Todos os direitos reservados

 

Este livro é uma obra de ficção.

Os personagens e os diálogos foram criados a partir da imaginação do autor.

 

Autor: Paulo Fuentes

Preparo de originais: Paulo Fuentes

Revisão: Sônia Regina Sampaio

Projeto gráfico e diagramação:

Capa: Paulo Fuentes

 

Todos os direitos reservados no Brasil:

Paulo Fuentes e El Baron Editoração Gráfica Ltda.

 

Impressão e acabamento:

 

 

Registrado efetuado:

 

 

 Apoio Cultural:

 

 

 

A narrativa desta obra literária é retratada sobre a realidade vivida entre o período de dezembro de 2019 até abril de 2020 e a fase de caos que se encontra o país e todo o planeta, portanto, qualquer semelhança com nomes, atos, fatos, personagens podem não ser mera obra de ficção podem não ser mera imaginação do autor, pois trata-se em parte de caso real. (Nota do autor).

 

 

 

PRÓLOGO

 

São Paulo, 21 de dezembro de 2019
6:21 AM - Hospital Saint Gerard

 

 

- Onde vai passar o natal doutora Nancy?

- Combinei com meu marido e meu filho que iremos passar na casa de meus pais no interior.

- Quem me dera eu pudesse folgar neste final de ano.

- Via fazer plantão no natal Judite?

- Plantão não. Fui intimada pelo doutor Edmundo a trabalhar no natal e ano novo.

- Não creio! Ele só pode estar de brincadeira.

- Ele não está brincando. Na verdade, está é me castigando.

- Ainda te persegue com assédio?

- Agora não mais, pois eu disse que iria denunciá-lo no Conselho e ele se aquietou, mas não perde a chance de me ferrar em tudo o que pode.

- Que filho da puta! Porque não faz a denúncia contra ele?

- Porque não tenho provas, pois se tivesse o colocaria na cadeia.

- Ele não vale nada mesmo, mas daí a ficar te perseguindo desta forma já é demais.

- Eu aguento, fique tranquila e alguém tem que estar aqui enquanto você estiver fora.

- Obrigada minha amiga. Bem agora vou para casa, pois este plantão foi de doer. Até depois de amanhã.

 

Nancy e Judite se conheciam desde os tempos de colégio. Haviam se tornado ótimas amigas e enquanto Nancy optava por fazer medicina e se tornar médica Judite preferira seguir na mesma linha, porém optara por ser enfermeira Padrão e com o passar do tempo acabaram trabalhando no mesmo imponente hospital Saint Gerard que era considerado um dos melhores hospitais do estado e consequentemente do país.

 

Se despediram e Nancy mal acabara de pegar suas coisas para ir embora quando ouviu insistentemente pelo som do hospital a recepcionista que parecia aflita.

 

Judite já havia saído e ao ouvir a voz da recepcionista por várias vezes sem que aparentemente Edmundo atendesse ela resolveu ir até lá e novamente trocou de roupa rapidamente e apressou-se a ir até a recepção onde encontrou um senhor de meia idade em uma cadeira de rodas.

 

- O que está acontecendo? Perguntou Nancy se aproximando da recepcionista.

- Graças a Deus que a senhora ainda está aqui doutora.

- O que aconteceu?

- Este senhor chegou aqui e até estava bem aparentemente, mas de repente começou a estremecer e ter uns ataques estranhos.

- Quem o está acompanhando?

- Ninguém! Ele chegou aqui sozinho.

- Onde está o doutor Edmundo?

- Não sei doutora.

  

Sem perder tempo Nancy examinou o senhor e constatou que o mesmo estava com febre altíssima e devido ao mesmo parecer ter desmaiado rapidamente providenciou que ele fosse levado para a UTI.

 

- Doutora! Ele não passou pelos procedimentos de internação. Informou a recepcionista.

- Depois cuidamos disso. Ele está passando mal e com pressão altíssima.

 

Sem dar mais atenção para a recepcionista Nancy acompanhou aos enfermeiros que haviam colocando o senhor na maca e rumaram direto para a ala de unidade de terapia intensiva, pois sentia que a situação dele era gravíssima. Judite que fora até a recepção ver o que estava acontecendo, sem nada dizer caminhou atrás da amiga.

 

- Rápido! Traga o respirador porque ele está parecendo estar sentindo falta de ar. Berrou Nancy preocupada.

 

Tão rápido quanto foi o pedido de Nancy foi o atendimento que dedicaram aquele homem desconhecido e começaram a lhe dar os primeiros socorros, porém, sem saber o que viria pela frente.

 

Alheio a tudo isso Edmundo encontrava-se em um dos quartos privativos do imponente hospital com a porta trancada se deliciando no corpo de uma jovem enfermeira e nem de longe estava pensando em que necessitavam de sua presença.

 

- Doutor! Parece que ouvi chamarem pelo seu nome. Disse a jovem que estava completamente nua deitada sobre a cama.

- Eles que se fodam! Quero é curtir estes momentos ao seu lado minha doce pombinha. Disse Edmundo sugando os seios da jovem enquanto a penetrava profundamente.

 

Não tão longe dali Nancy e uma enorme equipe médica faziam o que podiam para salvar a vida daquele senhor que não resistindo acabou falecendo.

 

 

CAPÍTULO 01

 

- Não! Não! Não! Dizia Nancy desesperada.

- Calma doutora! A culpa não foi sua.

- Não podíamos tê-lo perdido. Tínhamos que tê-lo salvado.

- Fizemos o que pudemos doutora, mas ele estava muito mal e não resistiu. Falou Judite carinhosamente para a amida.

- Sei que você me entende Judite, mas não podíamos tê-lo perdido.

- Se acalme! Na verdade, você nem deveria estar aqui neste momento e saiba que qualquer um que o atendesse, independente de quem fosse não conseguiria impedir o que aconteceu.

- Pode até ser, mas mesmo eu não sendo da especialidade da área, poderia dizer que este senhor contraiu algum tipo de vírus que acabou para ele sendo mortal. Falou pesarosamente Nancy.

 

Judite ia se manifestar novamente, mas de repente, entrando feito uma bala na ala da UTI Edmundo entrou esbravejando.

 

- O que está acontecendo aqui em meu hospital?

 

Muitos que ali estavam pensaram em lhe responder à altura, mas temendo perderem seus empregos se calaram e Edmundo parecendo um touro enfurecido se aproximou de Nancy.

 

- Pode me dizer como ousou trazer um paciente para a ala de terapia intensiva sem ter se identificado antes? Acha que fazemos caridade por aqui?

 

Nancy olhou para Edmundo e contou até vinte antes de responder.

 

- O que aconteceu é que uma pessoa que estava passando mal chegou ao “seu” hospital e a recepcionista estava chamando-a desesperadamente através de todas as caixas de som do hospital, mas agora, ao ver que o senhor, nobre doutor Edmundo está com as roupas desarrumadas por baixo da bata médica e também com o zíper da calça baixado além do cinto afrouxado, com certeza por ter estado muito ocupado não me deixou outra alternativa de providenciar o atendimento do senhor que estava praticamente morto na recepção e friso de novo do “seu” hospital quando já deveria ter ido embora para a minha casa onde encontraria com meu marido e meu filho que sempre me espera acordado logo pela manhã.

 

Edmundo que não esperava por aquela reação de Nancy olhou para baixo e viu que de fato estava com o zíper da calça aberto e o cinto afrouxado e levou um tempo para se recompor e quando o fez querendo mostrar quem mandava ali ainda questionou por não terem salvado a vida daquele pobre coitado.

 

- Acredito que o senhor, doutor Edmundo, com certeza teria salvado a vida deste pobre coitado o qual o senhor chegou dizendo que nem havia sido identificado quando chegou ao “seu” hospital, mas se tivesse ouvido que lhe chamavam e tivesse o atendido, se é que o atenderia sem que antes ele passasse pelo critério de ser antes identificado, quem sabe, por suas mãos milagrosas o teria salvo. Respondeu Nancy sem baixar a cabeça para ele.

- Doutora! A senhora está abalada pela morte deste homem. Venha a minha sala para que possamos conversar melhor.

- Não tenho que ir a sua sala doutor Edmundo e caso deseje me dispensar aproveite e faça-o agora, caso contrário farei o relatório sobre a causa mortis e irei para casa.

- Não pode me responder desta maneira. Isso é um desacato.

- Então, por favor, providencie o meu desligamento do quadro clínico do hospital que irei embora com prazer.

- Calma jovem! Não é para tanto. Deixe que eu cuide da causa mortis. Pode ir para sua casa repousar.

- Não doutor! Primeiro farei o relatório da causa mortis e depois irei embora, afinal enquanto o senhor estava em lugar incerto e quem sabe até sabido, fui eu quem tentei salvá-lo, portanto, deixe que eu termine com a minha obrigação.

 

Edmundo sentiu vontade de esbofeteá-la e depois lhe mandar embora, mas olhando e vendo a quantidade de servidores que estavam ali ouvindo a conversa de ambos preferiu se retirar jurando para si mesmo que aquilo não ficaria por ali. Virou-se e voltou pelo mesmo caminho que viera e mal cruzou a porta todos os presentes bateram palmas para ela por ter confrontado o poderoso doutor Edmundo.

 

No corredor ele conseguiu ouvir os aplausos dos outros funcionários e cerrando os dentes disse que ele se vingaria daquela médica metida a besta que ousara bater de frente com ele.

 

Nancy, sem se preocupar com ele ou com o que ele poderia fazer pegou os papéis e começou a preenche-los e já estava saindo para ver se havia algum documento que o identificasse foi que uma das enfermeiras lhe trouxe os documentos que pegaram em seus bolsos. Tratava-se de um importante membro de um consulado internacional e sentiu que aquilo ainda daria pano para manga, mas estava cansada, cumpriu com suas obrigações e como causa mortis declarou insuficiência respiratória, pressão altíssima, febre acima de 41º e definiu como um prenúncio de algum vírus ou bactéria que sem saber porque batizou de CR-19.

 

Nancy era apenas uma cirurgiã vascular e nada entendia de vírus, bactérias ou mesmo de epidemias, isso era especialidade de Edmundo, mas no fundo acreditou que aquilo ainda poderia vir a gerar algo pior e após terminar seu relatório foi para casa onde seu filho Cleber e seu marido Rogério a aguardavam e após seu filho ter saído de perto deles ela disse para Rogério.

 

- Amor! Acho que não irei para a casa de meus pais, mas recomendo que você vá com nosso filho e que ele fique por lá, pois sinto que algo de muito grave e sério está por vir.

 

 

CAPÍTULO 02

 

- Não entendi o que quer dizer? Comentou Rogério.

- Hoje ocorreu uma coisa muito desgastante no hospital e além de eu ter discutido feito com o doutor Edmundo suspeito que algo muito sério está para acontecer.

- Discutiu com aquele idiota?

- Hoje não consegui me controlar. Sai do sério.

- Já imaginava que algum dia você iria explodir com ele mesmo.

- Mas depois que nosso bebe for brincar no seu computador quero te confidenciar uma coisa.

- O que é amor? Pode me contar? Hoje vou trabalhar em casa.

- Depois te conto. Agora vou tomar um banho. Falou Nancy.

 

Nancy tomou um banho e relaxou um pouco. Retornou vestindo um roupão e depois de tomarem café Cleber como era normal quando estava em casa se retirou para seu quarto e tanto Nancy quanto Rogério para o deles.

 

- O que irei te contar é algo que se trata apenas de suspeita, mas preciso que mantenha isso guardado apenas com você. Falou Nancy.

- É tão sério assim?

- Na minha opinião sim. Respondeu Nancy.

- Porque acha isso?

- Hoje eu já estava saindo quando apareceu um senhor lá no hospital passando mal e para variar o doutor Edmundo deveria estar aos beijos com alguma idiota querendo se promover por lá e vendo o desespero da recepcionista querendo acha-lo eu fui até lá para ver do que se tratava.

- Foi por isso que demorou hoje então?

- Foi!

- Entendi!

- Bem! Cheguei na recepção e o senhor estava com febre altíssima, sua pressão também. Estava com tosse seca e ele não conseguia respirar. Na hora, sem mesmo fazer os procedimentos de registro dele urgentemente mandei leva-lo para a UTI e lá mesmo tentando de tudo não conseguimos recuperá-lo e ele acabou falecendo. Meu mundo desabou ali. Me senti responsável por não o ter salvado.

- Sei que deu o melhor de si meu amor. Não se culpe.

- Não foi por isso, mas sim por me sentir impotente ali, vendo-o na minha frente e nada poder fazer por ele. Jamais aceitei isso e jamais aceitarei perder um paciente.

- Você não é Deus meu amor. Não tem este poder de salvar a vida de todas as pessoas.

- Eu sei, mas aquilo ali, pelo que senti me apavorou e me senti sem chão.

- Porque acha que isso pode ser grave?

- Porque me lembro de ter visto e lido muito sobre várias epidemias e de como elas começaram e sei ou apenas sinto que isso pode ser o prenúncio de outra muito mais grave e que se não for contida ela não irá parar antes de matar milhares ou milhões de pessoas no mundo todo.

- Credo!

- Espero estar enganada e se digo isso é por ter estudado muito sobre contágios.

- Isso é verdade! Sei que quer seguir na especialização da área de infectologia e ainda quer isso?

- Depois de hoje não sei se quero não, mas dei um nome para ele no relatório clinico da causa mortis.

- Como assim?

- Denominei o que acredito ser um vírus como CR-19.

- CR-19?

- É!

- De onde tirou isso? Perguntou Rogério curioso.

- C de Cleber, nosso filho e R de Rogério, o nome do meu amor.

- E de onde tirou o número 19?

- Não sabe de onde?

- Bem! Imagino porque seja por causa de uma data especial nossa. Seria isso?

- Sim! O dezenove foi em homenagem ao dia de nosso casamento.

- Pode fazer isso nos relatórios clínicos? Perguntou Rogério.

- Não, mas achei bonitinha a colocação e de repente eu patenteio isso. Respondeu Nancy sorrindo.

- Só você para ver as coisas boas nos coisas ruins. Falou Rogério sorrindo.

 

Falaram mais algumas coisas sobre assuntos banais e estavam ainda conversando quando Nancy se recostou no travesseiro e acabou adormecendo. Rogério ainda ficou ali ao seu lado olhando para aquela mulher maravilhosa e guerreira pela qual se apaixonara e no fundo sentiu uma certa preocupação, pois se Nancy estivesse certa e ela raramente se enganava, as vidas de muitas pessoas poderiam estar em risco e muito mais a dela que trabalhava diretamente na frente de batalha.

 

Com muito cuidado levantou-se da cama e saiu bem devagar após cobri-la e deixando-a ali foi cuidar de algumas coisas que tinha para realizar de seus projetos de engenharia.