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Título O dia em que meu mundo parou     Ano 2020
           
Gênero Espiritual     Páginas 129
 
     
 

 
     
     
     
 

Título original: O dia em que meu mundo parou

Drama / Ficção

1ª edição

 

Copyright© 2015 por Paulo Fuentes®

Todos os direitos reservados

 

Este livro é uma obra de ficção.

Os personagens e os diálogos foram criados a partir da imaginação do autor.

Qualquer semelhança com acontecimentos ou pessoas vivas ou mortas, fatos e atos, podem não ser mera coincidência.

 

Autor: Paulo Fuentes

Preparo de originais: Paulo Fuentes

Revisão: João Alberto de Oliveira

Projeto gráfico e diagramação: Paulo Fuentes

Capa: Paulo Fuentes

 

Impressão e acabamento

El Baron Editoração Gráfica Ltda.

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Todos os direitos reservados no Brasil:

 Paulo Fuentes e El Baron Editoração Gráfica Ltda.

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 Apoio Cultural:

         

 

 
     
     
  "Não sei explicar se o que ocorreu foi uma fatalidade, um acaso, um desejo secreto, um delírio, ou mesmo um mero sonho, mas foi algo tão real que seria difícil de explicar a não ser através da escrita".  
     
     
     
  PRÓLOGO  
 

Era uma quinta feira qualquer, daquelas que passaria em branco. Estava cansado. Deitei-me para repousar um pouco depois de um dia árduo de trabalho. Estava chegando novamente um final de semana prolongado neste país de feriados e de corrupções e isso só causava atrasos em meus negócios.

 

Tinha muito para realizar, porém, mais quatro dias parado seria um caos na minha vida, pois o tempo é implacável e a perda dele jamais é reconquistada e foi assim que me deitei, com estes pensamentos na cabeça.

 

Remexi-me muito na cama que já me incomodava. Eu precisava de tempo, mais tempo, pois da forma que a roda da vida girava, tão rápida, logo eu estaria velho demais para realizar todos os meus projetos.

 

Do nada fechei os olhos e pedi que se pudesse, gostaria que o tempo parasse um pouco a fim de que eu pudesse aproveitá-lo melhor e depois de mexer-me e remexer-me na cama com estes pensamentos na cabeça, acabei adormecendo. Não sei por quanto tempo permaneci ali deitado adormecido e nem sei mesmo se cheguei a acordar quando me levantei, mas enfim o dia amanheceu.

 

Era uma sexta feira que antecedia ao feriado na terça. Olhei para o relógio e eram sete e cinqüenta e dois da manhã. Esfreguei os olhos. Estava cansado. Levantei-me e fui até o toalete a fim de me preparar para mais um dia, o qual eu já sabia que seria perdido.

 

Tudo o que fora programado antecipadamente fora postergado para ser realizado na semana seguinte. Tomei banho, escovei os dentes e troquei de roupa. Lá fora tudo parecia estar em silêncio. A rua defronte a minha casa estava na mais completa paz. Aliás, paz demais. Sequer ouvi um automóvel passando por ela e neste horário da manhã, era quando ela tinha um forte movimento.

 

Arrumei a cama. Deixei tudo em ordem no quarto. Não dei atenção na hora. Estava com fome. Fui preparar algo para comer. Arrumei um canto da mesa e abri a geladeira. Peguei alguma coisa e sentei-me para sorver a leve refeição do dia. Liguei a TV para ver o jornal da manhã e estava sem sinal.

 

- Droga! Terei que perder tempo ligando para a operadora de novo. Pensei.

 

Não querendo me irritar logo cedo tomei um copo de leite e comi duas fatias de torradas e aquilo pareceu encher meu estomago. Terminei e tirei as coisas da mesa. Fui para o escritório e resolvi ligar logo para a operadora, pois teria que usar a internet. O telefone estava completamente mudo.

 

- Que estranho! As contas estão pagas, o que será que aconteceu? Pensei.

 

Ainda não querendo me irritar desisti de telefonar e liguei o computador. Ligou e abri uma página onde havia deixado um texto incompleto no dia anterior. Comecei a digitar, mas o silêncio absoluto estava me incomodando. Levantei-me e fui até a janela da sala e olhei para a rua. Nada. A rua estava deserta.

 

- Que coisa mais doida. Hoje ainda é sexta feira. Cadê as pessoas e os veículos? Falei comigo mesmo.

  

Cismado peguei a chave e abri a porta e fui até o portão. Não havia sequer uma pessoa na rua e por incrível que possa parecer não havia nada de nada lá fora. Olhei para o céu. Estava um lindo dia de sol. Olhei para os lados, mas não me dei conta de que nenhum pássaro passou voando. Coisa normal na região onde moro.

 

Voltei para dentro. De novo diante do computador olhei para a tela branca e para a TV em minha frente. Liguei-a de novo e nada de sinal. Novamente peguei o telefone e estava mudo como da outra vez. Resolvi ligar do celular estava mudo também. Sem sinal algum.

 

- O que está acontecendo? Pensei.

 

Perdi a vontade de escrever. Desliguei o computador e fechei todas as janelas da casa as quais eu havia aberto. Resolvi sair para a rua. Peguei a chave, abri a porta, tranquei-a atrás de mim e abri o portão novamente. A rua permanecia vazia. Nada e nem ninguém vi por ali.

 

Perto de onde eu morava havia um supermercado. Caminhei até lá. Nada. Não havia ninguém na rua em torno do supermercado. Ele funcionava 24 horas por dia e os portões do estacionamento estavam abertos. Entrei e caminhei até a porta principal. Estava aberta.

 

Entrei e dentro dele não havia ninguém. Estava ali aberto e literalmente abandonado. Nada peguei. Sai. Voltei para a rua. Nenhum carro. Nenhum barulho.

 

- O que será que houve? Será que houve uma guerra biológica ou um arrebatamento divino e todos sumiram? Pensei.

 

Voltei para casa. No caminho tentei comunicação com o celular e nada. Estava mudo. Cheguei a minha casa e novamente tentei a TV. Sem sinal. O telefone fixo sem sinal. Voltei para a garagem e dei a partida no meu automóvel. Normal, ele pegou. Abri o portão e tirei-o para fora. Tranquei o portão e sai. Não sabia para onde iria.

 

Peguei a avenida. Rodei por uns cinco quilômetros e nada de ver sequer um cachorro na rua. Tudo estava abandonado. Passei por dois postos e estavam sem ninguém. Precisava abastecer. Parei no terceiro. Chamei e nada. Ninguém me atendeu. Fui até a bomba e estava tudo em ordem. Abasteci. Enchi o tanque e deixei o dinheiro correspondente sobre o balcão do caixa do posto.

 

Resolvi ir até o centro. Peguei novamente a avenida e no caminho teria que passar pelo aeroporto e assim o fiz. Cheguei diante dele. Vários automóveis estacionados, porém vazios. Parei meu automóvel e entrei no aeroporto. Não encontrei ninguém ali dentro.

 

 As luzes acesas e as lojas abertas, mas não havia ninguém. Tudo vazio. Abandonado. Caminhei até o saguão de embarque e tudo vazio. Fui até o desembarque e a mesma coisa. Não havia ninguém. Novamente sai do aeroporto e entrei em meu automóvel. Sai em direção ao centro. Eu tinha que encontrar alguém. Não seria possível o mundo ter desaparecido e só sobrado eu nele.

 

Rodei mais oito quilômetros através da avenida e cheguei à maior avenida da cidade, a Avenida Paulista. Completamente vazia. Olhei para os prédios e não vi vivalma alguma. Olhei para o céu e nada de aviões, helicópteros e nenhum pássaro.

 

- Devo estar louco ou ainda estou dormindo. Isso não pode estar acontecendo. Pensei.

 

Resolvi ir até a casa da minha irmã. Fiz a volta e fui até lá. Vinte quilômetros me separavam da casa dela e no caminho nada. Ninguém. Absolutamente ninguém. Tudo abandonado. Cheguei à casa dela. O automóvel dela não estava na garagem. Desci e apertei a campainha. Esperei e nada.

 

Não havia ninguém em casa, mas era normal isso. Nos finais de semana geralmente ela ia para o sitio. Resolvi ir até a casa de meus filhos e também não encontrei ninguém. Fui até a casa de meu irmão e também nada. Nas ruas e avenidas não havia ninguém. Não tinha a menor idéia do que faria. Pareceu-me que eu estava sozinho no mundo. Virei o automóvel e resolvi ir até o litoral. Quem sabe por lá encontraria alguém.

 
     
     
  CAPÍTULO 1  
 

Adentrei na rodovia e tudo vazio. Vi alguns automóveis estacionados no acostamento, mas não havia nenhum ser vivo por perto. Percorri os setenta quilômetros que me separavam do litoral e nada.

 

- O mundo havia se desaparecido e me esquecido ou sumido de mim, ou seria eu que sumira com o mundo?

 

Passei o dia todo no litoral. Conduzi meu automóvel por mais de duzentos quilômetros de praia entre o litoral sul ao norte do Estado. Nada e nem ninguém. Nenhuma pessoa e nenhum animal. Resolvi voltar para casa. Novamente abasteci e olhando na carteira não estava com dinheiro para pagar e desta vez não paguei.

 

- Não achava correto, mas se eu estava sozinho no mundo porque pagaria pelo que iria usar? Pensei.

 

Mesmo pensando assim e de acordo com a minha criação não poderia sair sem pagar. Deixei um bilhete dizendo que havia abastecido e caso o mundo voltasse, ou eu acordasse, que me ligassem que eu pagaria pelo consumo do combustível.

 

No caminho para a capital vim pensando em tudo o que estava acontecendo.

 

- Seria apenas eu a habitar o meu estado, ou o meu país, ou quem sabe o meu planeta?

 

Era uma coisa louca para não dizer bizarra. Havia energia elétrica, havia postos de combustíveis funcionando, os mercados estavam abertos, havia abastecimento de água, mas onde estariam as pessoas. Com isso na cabeça cheguei novamente à capital. Resolvi fazer uma pesquisa real e física. Parei diante de um imenso hotel cinco estrelas e entrei.

 

Tudo vazio. Dei a volta no balcão e peguei uma chave de um apartamento no décimo quarto andar. Fui até o elevador e ele estava funcionando. Entrei e apertei o botão do elevador meio que temeroso, pois ele poderia parar de repente e se parasse quem iria me socorrer, mas mesmo assim arrisquei. Ele subiu normalmente.

 

Cheguei ao décimo quarto andar e fui até a suíte. Linda. Perfeita. Maravilhosa, mas lá do alto olhando por onde consegui olhar não havia sinal de nada vivente. Apenas as arvores é quem davam sinais de que o mundo permanecera vivo apesar do que estava acontecendo.

 

Fui até o telefone e nada de sinal. Liguei a TV e nada de imagem. Desci e fui até a recepção de novo. Dali até a cozinha. Tudo arrumado e nada de ver ou encontrar alguém. Sai. Voltei para o meu automóvel e resolvi ir de lado a lado da cidade.

 

Atravessei ruas, bairros, avenidas e nada. Resolvi ir a um banco. Portas abertas. Ninguém dentro. Fui até o caixa eletrônico. Coloquei o cartão e funcionou. Ia tirar dinheiro e pensei no porque isso se não havia nada ou onde gastá-lo. Sai e voltei para a rua. Novamente cruzei ruas e avenidas. De repente sem me dar conta do porque adentrei em uma avenida que havia concessionárias de automóveis de todas as marcas e resolvi ir olhá-las. Uma, duas, três e fui olhando as máquinas possantes.

 

Meu automóvel não era velho, mas eu queria saber se era só ele que estava funcionando. Escolhi uma concessionária de autos ingleses e escolhi um deles. Lindo, imponente, maravilhoso. Procurei a chave e a achei. Dei a partida. Pegou.

 

Deixei-o ligado e fui até o meu automóvel. Levei-o para dentro da concessionária. Retirei meus pertences de dentro e fui até a recepção novamente. Peguei um papel e escrevi uma mensagem...

 

- Não sei se estou louco, muito menos sei se estou sonhando, mas sinto que estou só neste mundo e estou deixando esta mensagem, ainda sem saber porque, a fim de deixar claro que, não estou roubando o seu veículo, mas sim levando-o para rodar pelas ruas e depois de passar por todas as lojas desta rua onde existem automóveis chineses, coreanos, alemães, italianos, brasileiros, norte americanos, sul coreanos e de outros países, o que mais me agradou, de todos eles, foi a sua marca e este automóvel que estou emprestando. Caso meu sonho ou pesadelo termine e vocês sintam falta dele, me procurem através do endereço que anoto abaixo ou do telefone que hoje está sem sinal.

 

 Era coisa de doido, mas eu não iria roubar nada, apenas levaria algo para as minhas necessidades, pois afinal, eu não iria ficar parado esperando morrer de velhice. Entrei naquele automóvel incomparável e sai da concessionária. Nem de longe eu imaginaria o que havia de recursos neles. Tudo funcionava perfeitamente e só não havia sinal de TV e de rádio que permaneciam mudos.

 

- Nem o rádio ou a TV está funcionando, mas CD´s devem funcionar. Pensei. Resolvi voltar para casa. Sozinho. Abandonado por um mundo todo. Virei e voltei. Passei antes de chegar em casa em uma loja de CD´s e peguei alguns do meu gosto e outros barulhentos. Iria viajar. Sozinho mas iria. Pegaria a estrada e iria rodar o país e iria até onde pudesse. Este foi o desejo que tive no momento.

 

Novamente fiz um bilhete, deixei na loja e sai. Cheguei à minha residência e vi que tudo estava do jeito que deixei, ou seja. Tudo igual e sem ninguém na rua. Entrei e peguei roupas, meu notebook, minha câmera digital e mais nada. Sai, tranquei a porta e liguei o alarme. Voltei ao imponente automóvel inglês e fui até o hipermercado.

 

Peguei um carrinho e entrei. Lá dentro peguei produtos não perecíveis e sai. Desta vez não deixei bilhete algum. Parei em um posto ao lado do mercado e abasteci. Com o tanque cheio olhei para o céu e fiquei pensando para onde eu iria.

  

- Praia ou campo? Norte ou sul? Para cima ou para baixo? Para onde vou? Pensei.

 

Dei asas aos meus pensamentos e resolvi deixar a sorte me levar. Afinal se ninguém mais existisse no planeta, ele seria só meu e não importava para que lugar eu fosse.

 

 Conduzi o automóvel até a marginal e ali eu tinha várias opções. Poderia ir para o Sul, para o interior do estado e ali sairia para o triangulo mineiro e dali para o centro oeste, ou ir em direção ao Paraguai, seguindo adiante poderia ir para o sul de Minas Gerais, ou adiante ir para Belo Horizonte, ou em outra direção ir para o Estado do Rio de Janeiro.

 

Opções é que não me faltava e deixei que o caminho me levasse para qualquer lugar. Passei a entrada para o sul e continuei em frente. Passei para a saída do interior e fui em frente e do nada resolvi pegar a rodovia que me levaria para Belo Horizonte. Algo me dizia que eu deveria ir para lá e foi o que eu fiz.

 

Peguei a rodovia Fernão Dias e fui embora, na esperança de que quem sabe, veria alguém durante estes quase seiscentos quilômetros. Quanto mais eu conduzia o automóvel pela estrada mais eu sentia que estava só no mundo. As casas, o comércio, os hotéis, as fazendas, os sítios e até dois pesqueiros que fiz questão de parar para olhar estavam vazios. Nenhuma vida havia mais.

 

Os pastos vazios e nem um inseto cheguei a achar. Parei em Pouso Alegre em um posto de combustível e a mesma coisa se repetia. Os postos ativos, mas ninguém para atender. Loucura pura, mas eu já começava a achar que pior do que estava não ficaria. Abasteci, escrevi um bilhete e continuei em frente.

 

Não tinha pressa para chegar, afinal eu estava indo apenas para não ficar parado na capital paulista e quem sabe, em busca de alguma pessoa ou um bicho seja lá de que raça fosse. Com a estrada completamente vazia cheguei rápido a Belo Horizonte. Já era alto da noite quando por lá cheguei, e ali como por todos os lugares que passei com ninguém eu encontrei e o estranho foi que todas as residências, comércio, instituições estavam com as luzes acessas e abertas para quem desejasse entrar.

  

Resolvi passar a noite em um hotel. Qualquer um servia. Eu estava cansado e precisava dormir, mas ao mesmo tempo em que pensava assim temia que não acordasse mais, mas o cansaço falou mais alto e entrei em um hotel na Savassi. Tudo da mesma forma.

 

Entrei na recepção e peguei uma chave, mas preferi ficar em uma suíte em andar baixo. Subi pela escada e entrei. Estava tudo arrumado e o silêncio era total dentro e fora do hotel. Nem tirei a roupa. Estava tão cansado que me encostei à cama e apaguei.

 

Não sei por quanto tempo dormi, mas sei que quando acordei no dia seguinte o sol já ia alto. Liguei a TV para ver se acontecia algo e nada. Telefone também sem sinal. Peguei o celular e ele continuava mudo. Do estava igual.

 

- Se é um sonho, ele está se transformando em um pesadelo porque não termina nunca. Será que estou só mesmo? Pensei já me conformando.

 

Peguei minhas coisas e desci. Tudo a mesma coisa. Ninguém por lá. Fui até a cozinha. Estava com fome. Peguei ovos, bacon, alface, tomates e mais algumas coisas e preparei um lanche reforçado. Reguei com suco de laranja e leite. Não quis café. Terminei de comer e sai, mas antes disso limpei tudo e deixei outro bilhete sobre a minha passagem por ali.

 

Voltei para a rua e tudo estava igual estava no dia anterior. Parado, ou morto como eu já imaginava o mundo, mas o engraçado é que a energia não se apagava e com isso poderia usar ainda do luxo de poder achar coisas ainda preservadas em geladeiras e em freezers, além é claro de poder abastecer o automóvel. Resolvi sair caminhando. Estava próximo do parque e de certa forma até a rodoviária.

 

Calmamente fui até lá. Nada. Absolutamente nada e nem ninguém. Apenas lojas, bancos, mercados, casas na maioria aberta e com as luzes acessas, fora isso nada. Voltei para o hotel. Subi à suíte e tomei um banho. Troquei-me e desci. Peguei o automóvel e sai. Tinha resolvido ir até o triângulo mineiro e de lá para a capital federal, mas antes disso resolvi passar pelo zoológico. Queria confirmar uma coisa.

  

Avenidas e ruas vazias e cheguei ao zoológico. Portões abertos. Entrei e caminhei através das bem cuidadas alamedas e para variar não havia sequer um animal em seus devidos lugares. Levei mais de duas horas ali dentro procurando algo e também não encontrei. Procurava por formigas, pois isso havia em qualquer lugar. Nada. Nenhuma eu encontrei. De fato não havia mais dúvida. Ou eu estava sonhando e tendo mesmo um pesadelo, ou todos haviam ido embora e me deixado sozinho no mundo.

 

 - Ir até a capital federal para que? Pensei.

 

Nada ia mudar. Sabia que não ia encontrar ninguém mesmo, mas estava resolvido. Eu iria até lá de qualquer forma. Em torno de mil quilômetros me separavam da capital federal. Entrei no automóvel, dei a partida e fui embora. Já dirigia a um bom tempo, estava cansado, pois o sol estava forte, mas era mais por ver tanta solidão.

 

As músicas tocadas em volume alto não me animavam e quando estava chegando a Paracatu tive a impressão de ter visto uma pessoa correndo. Talvez fosse uma impressão causada pelo cansaço, mas mesmo assim resolvi ir olhar. A suposta pessoa estava ou estaria em uma pequena casa em um sitio na beira da rodovia.

 

Contornei e fui até o local. Estacionei e desci do automóvel. Caminhei em direção a casa e chamei várias vezes. Nada. Silêncio absoluto. Dei a volta na casa e fui até onde eu teria visto a suposta pessoa. Nada, mas novamente vi algo que me pareceu ser uma pessoa. Fui até lá e me decepcionei. Era apenas um vestido no varal.

 

Voltei chateado e resolvi ir até a casa. Estava aberta. Dentro as luzes estavam acessas. Chamei por alguém e nada. Entrei. Nada. Não havia ninguém. Sai e fui embora. Um bom tempo depois cheguei à capital federal. Tudo vazia. Era impressionante a cena.

 

Nunca imaginei em toda a minha vida algum dia ver aquela cidade daquela forma, vazia, sem ninguém. Havia escurecido. As avenidas e todos os prédios estavam com as luzes acessas. Estava cansado. Resolvi parar em um hotel e tomar um banho. Escolhi um aleatoriamente e entrei. Ninguém como em todos os lugares.

  

Fui até a recepção, peguei uma chave de uma suíte no primeiro andar e fui para lá. Novamente fui pela escada, pois algo me dizia para fazer isso. Abri a porta, entrei e fui tomar banho. Fiquei nem sei quanto tempo ali deitado na banheira de hidro e relaxei. O silêncio era total. Terminei o banho e me senti bem melhor. Ia sair para dar uma volta pela cidade, mas desisti. Deixaria isso para o dia seguinte. Resolvi dormir.

 
     
     
  CAPÍTULO 2  
 

Acordei renovado na manhã seguinte. Tive um sonho maravilhoso. Sonhei que havia encontrado uma moça maravilhosa e senti-me como se tudo aquilo houvesse sido programado e que era a chance de recriar a humanidade. Senti-me o Adão no sonho e junto com a ¨minha¨ Eva tivemos uma deliciosa noite de amor.

 

O sonho tinha sido tão intenso que eu sentia na boca o gosto dos beijos daquela mulher maravilhosa, mas acordara e estava sozinho de novo. Levantei, tomei banho e desci. Ninguém para variar. Fui até a cozinha, preparei uma refeição bem substancial, pois estava sem comer a mais de trinta horas. Terminei e limpei tudo. Novamente fiz um bilhete e deixei na recepção.

 

Sai. Rodei pelas e fui até o Congresso Nacional. Nem perdi tempo entrando naquele antro, mesmo porque sabia que estaria vazio. Fui até o Supremo Tribunal Federal. Tudo vazio, abandonado. Portas abertas, luzes acessas e ninguém. Entrei. Dei uma volta pelos corredores. Entrei na sala do presidente do tribunal. Sentei em sua cadeira e um sorriso triste saiu de meus lábios.

 

- Como podia aqueles ministros decidirem a vida de pessoas, ou agirem tão contra a lei que eles juraram defender? Pensei.

 

Pior que isso. Eles se vendiam, se deixavam corromper. Faziam vistas grossas para muitas coisas e eram coniventes contra a população. Senti-me enojado. Sai. Passei pela imensa sala do plenário. Olhei para aquelas poltronas e em pensamento vi aqueles velhos ministros fazendo arte. Revoltei-me e sai.

 

Peguei o automóvel e fui até o palácio do governo. A portaria que sempre vira com apenas dois ou três soldados estava vazia. Não havia na rampa os dragões da independência. Fui até a recepção e estava tudo ali. Intacto. Limpo. Organizado. Vazio. Abandonado.

 

Fui até as escadas e subi para o primeiro andar. Caminhei pelo corredor e pelos halls do palácio. Fui até a imensa vidraça frontal e olhei para fora. Estava um dia lindo. Sol maravilhoso e o céu ostentava aquele azul sem definições. Não havia nuvens. No mastro vi a bandeira verde e amarela hasteada. Não havia vento. Ela estava quieta. Parada.

 

Voltei e me dirigi à sala da presidência. Cheguei. Abri a porta. Entrei. Olhei aquela sala vazia e fiquei imaginando quantas e quantas vezes não se armaram golpes contra o povo ali dentro, mas uma coisa me chamou a atenção. Olhei para a parede onde estaria o quadro com a foto do presidente e o quadro estava lá, mas nele não havia nenhuma imagem. Um quadro em branco. Sentei-me na cadeira tão cobiçada por partidos supostamente de oposição, quando na verdade todos jogavam no mesmo time.

 

A conivência entre eles era uma coisa estarrecedora para quem conhecia de fato os bastidores sujos e nefastos da política nacional. Fiquei pensando em como seria fácil administrar o país, usando para isso apenas coisas básicas tais quais honra, dignidade, respeito e amor à pátria, mas que infelizmente, nenhum dos anteriores, ou dos que postulavam o cargo os quais felizmente com o abandono que o mundo me causou, aproveitou e levou tanto as coisas boas quanto às coisas ruins. Levantei-me daquela cadeira cobiçada, mas antes deixei um bilhete...

 

- Sei que estou vivendo um dilema comigo mesmo. Não sei se sonho ou se é um pesadelo, ou pior, se de fato estou mesmo sozinho neste mundo, mas de qualquer forma, escrevo e deixo a mensagem aqui expressando os meus sentimentos. Gostaria que houvesse um governo onde os governantes (presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, além dos ministros), fizessem governo e política, mas esta voltada para o povo e que trabalhassem pelo povo e para o povo e ai sim, quem sabe, teríamos um país e um mundo melhor.

 

Achei uma insanidade minha aquilo, mas resolvi escrever. Levantei-me e ia sair, mas por brincadeira peguei meu celular e tirei uma foto de mim mesmo. Fui até a sala anexa e dei o comando para imprimi-la em formato A4. Voltei à sala da presidência e anexei a minha foto ali sobre o vidro e escrevi na mesma...

 

- Melhor uma foto minha do que deixar o quadro sem imagem alguma, afinal se estou só no mundo de certa forma ele me pertence e porque não ser eu o presidente solitário de um país maravilhoso, mas até hoje abandonado pelos nefastos políticos.

 

Foi um dos raros momentos em que sorri. Se aquilo fosse em um mundo real, iriam mandar me prender pelo ultraje. Sai dali, mas antes disso tirei algumas fotos. Voltei para o automóvel e fiquei pensando para onde eu iria. Estava bem no centro e no coração do país.

 

Poderia ir para qualquer lado. Norte, sul, leste, oeste, centro oeste. Resolvi ir até Campo Grande. Seria em torno de mil quilômetros e resolvi passar o dia na capital federal e no dia seguinte, descansado pegaria a estrada logo cedo. Nem sabia por que resolvera ir até lá, mas iria.

 

Conduzi o automóvel pela capital social e fui tirando fotos, muitas fotos. Tivera o cuidado de levar alguns pentes de memória e poderia tirar fotos a vontade e nem eu mesmo sabia por que estava tirando fotos, pois não teria para quem mostrar, mas enfim, era apenas uma distração em um mundo de um homem só, EU.

 

Sai de Brasília e rodei por vários cidades satélites da capital social. Fui apenas para olhar, pois sabia que não iria encontrar ninguém e assim foi. Já estava anoitecendo quando voltei para o hotel. Estacionei o automóvel em frente a ele, mesmo porque não iria incomodar ninguém. Entrei, fui até a cozinha, preparei coisa leve para me alimentar e depois de limpar tudo fui para a suíte. Liguei a TV mesmo sabendo que não tinha sinal, o rádio e fui tomar banho.

  

Enchi a banheira, coloquei sais aromáticos e quando a água estava morna entrei dentro dela. Recostei-me e acabei adormecendo. Acordei de repente assustado. Tive a impressão de ter ouvido vozes. Animei-me.

 

- Será que havia mais pessoas em ¨meu¨ mundo? Pensei.

 

Levantei-me, enxuguei-me rapidamente, vesti uma bermuda e sai do toalete. A porta estava fechada. Janela fechada. O ar condicionado ligado e tudo estava normal. A TV continuava com a tela fora do ar e o rádio mudo. Nem um chiado. Fui até a porta e a abri. Olhei pelo corredor e nada. Tudo vazio.

 

- Teria eu ficado louco? Pensei.

 

Resolvi descer. Voltei para a suíte e vesti uma camiseta. Sai e desci. Fui até a recepção e nada. Não havia ninguém. Voltei para a suíte e nem bem tinha entrado quando ouvi um chiado vindo do rádio. Entrei rapidamente e me aproximei dele. Fiquei ali parado aguardando. Nada. Apenas chiado. Despi-me e deitei. Adormeci logo em seguida.

 

A madrugada já estava avançada quando tive a impressão de ouvir uma voz. Abri os olhos e busquei no escuro alguma coisa. Ascendi à luz e ouvi nitidamente o som da voz que provinha através do rádio. Era a voz de uma mulher. Pela voz era ainda jovem.

 

- Se alguém me ouve peço ajuda. Sinto como se o mundo estivesse desaparecido. Sinto-me só. Encontro-me na cidade de Uberlândia e permanecerei aqui na rádio por mais dois dias e nem passo o número de telefone porque eles não funcionam. Meu nome é Helena. Espero que alguém me ouça, pois estou ficando louca.

- Mudança de planos. Existe alguém vivo neste mundo. Vou para Uberlândia. Pensei eu.

 

 Troquei de roupa rapidamente e arrumei minhas coisas. Se havia a possibilidade de encontrar alguém, esta pessoa não poderia ficar esperando. Sai rapidamente. Cheguei ao automóvel abri a porta e dei a partida. Seriam apenas quatrocentos quilômetros.

 

Olhei para o relógio no painel. Eram cinco e quinze da madrugada. A estrada estava normal, ou seja, vazia. Em menos de duas horas e meia estaria lá. No pequeno percurso não me saia do pensamento sobre o que estava acontecendo. Talvez houvessem mais pessoas no país e no planeta e quem sabe agora eu encontraria ao menos uma pessoa, ao menos esta usara um meio de comunicação que ainda se encontrava no ar, o rádio.

 

Duas horas e vinte minutos depois eu cheguei à cidade de Uberlândia. O dia amanhecera e eu nem me dei conta, pois não tirava do pensamento que poderia encontrar alguém depois de toda aquela loucura de achar que estava só no mundo.

 

No caminho todo deixei o rádio do carro ligado na sintonia da emissora, mas não havia ouvido nem o chiado mais. Helena havia passado o endereço da rádio, mas eu não tinha a menor idéia de onde ficava, pois não conhecia a cidade. Rodei pela cidade, mas seria difícil encontrar a rádio, pois eu não tinha para quem perguntar.

 

 - Um mapa da cidade! Pensei eu.

 

Fui até o centro e procurei uma banca de jornais e revistas. Achei rápido e fácil uma. Fui até lá e peguei uma revista de guia e mapas da cidade. Achei e estava a menos de duas quadras do local. Coloquei a revista no lugar em que se encontrava e me dirigi para lá. No caminho não encontrei com nenhuma pessoa, mas tinha a confiança de que encontraria com mais alguém fora Helena e isso se ela realmente existisse.

 

Estacionei diante do prédio onde se localizava a rádio e desci. Não havia ninguém em volta. Entrei no prédio e chamei por ela...

 

- Helena! Ouvi sua mensagem através do rádio. Está por ai?

 

Ninguém respondeu e eu chamei mais uma, duas, três vezes. Já começava a achar que eu havia sonhado com aquela pessoa falando através do rádio quando ouvi um ruído. Olhei em direção ao barulho e nada. Virei-me e já ia sair quando uma meiga voz me chamou...

 

- Moço! Não vá embora. Eu estou aqui.

 

Virei-me e olhei para trás. A moça era linda e perfeita. Se Deus planejara refazer a raça humana escolhera a dedo na ¨nova¨ Eva. Morena, aproximadamente um metro e setenta. Olhos de um verde intenso. Rosto de porcelana. Seios médios, mas bem formado. Usava uma camiseta azul e calça da cor preta bem delineada ao seu corpo de sereia. Resumindo era uma deusa no mundo do qual era até aquele momento de um ser só, EU.

 

- Olá Helena, meu nome é Marcos.

- Oi! Respondeu-me ela meigamente.

 

Seus lábios tremeram ao dizer aquele simples ¨oi¨ e seus lábios harmoniosamente esculpidos à mão. Achei de fato que estava ficando louco, pois no conjunto todo ela era a pessoa mais linda que eu já vira até o momento.

 

- Achei que estivesse ficando louco quando vi que não havia mais ninguém neste mundo. Disse-lhe.

- Eu também. Acordei e todos haviam desaparecido por completo. Telefones, TV e rádios todos fora de sintonia. Achei que estava sonhando e tendo pesadelos, mas apenas dois atrás foi que me deu a idéia de tentar comunicação através do rádio. Respondeu Helena.

- Foi uma coisa estranha isso tudo. Comigo ocorreu à mesma coisa e resolvi sair por ai procurando por mais pessoas, mas nem animais eu cheguei a encontrar.

- Poxa! Não tinha me dado conta disso, mas é verdade, na rua da minha casa havia alguns cachorros e nem percebi isso de tanto que estava assustada.

- Me fala uma coisa. Há quanto tempo estava transmitindo pelo rádio? Perguntei.

- Eu trabalhava aqui no rádio. Tinha meu horário musical todos os dias as 15:00 horas e no mesmo dia em que aconteceu este desaparecimento estranho, vim para cá e comecei a transmitir a mensagem e somente você apareceu por aqui.

- Será que existem mais pessoas por ai ainda Helena? O que acha?

- Não creio, pois se tivesse já teria vindo para cá, afinal não seria por falta de transporte que deixariam de vir. Você é de onde? Perguntou-me ela.

- Sou de São Paulo, mas vi a sua mensagem lá de Brasília.

- Brasília! Trabalhava lá?

- Não. Quando ocorreu tudo comecei a andar por ai. Rodei por São Paulo, pelo litoral paulista, fui até a divisa do Rio de Janeiro, até Belo Horizonte, de lá para Brasília e ao te ouvir vim para cá. Respondi.

- Sangue cigano? Perguntou-me sorrindo.

- Quase isso, mas de que adianta ficar por aqui a toa se eu poderia rodar o país todo em busca de uma explicação. Respondi sorrindo.

- Se eu soubesse dirigir teria feito à mesma coisa, mas tenho pavor de fazer isso.

- Bem eu vou continuar viajando em busca de alguma coisa. Quer vir junto comigo? Perguntei-lhe ansiando para que ela dissesse sim.

- Claro que vou. Afinal o mundo pode ter deixado apenas eu e você e de repente ele precise de novo Adão e de uma Eva. Respondeu-me sorrindo.

 

Sorri e a convidei para ir comigo. Perguntei se ela iria querer pegar alguma coisa em sua casa e ela sorrindo me disse que passaria em uma loja de grife em alguma cidade e trocaria todo o seu guarda roupa. Gostei dela. Era espontânea, alegre, sincera e acima de tudo era mulher. Uma linda e bela mulher. Levei-a até o automóvel e ela se admirou com o luxo e requinte do mesmo. Abri a porta para que ela entrasse e sorrindo ela disse...

 

- Obrigado Senhor! Ao me dar um Adão aproveitou e caprichou me mandando um Adão cavalheiro.

 

Não agüentei e dando a volta cai na gargalhada. Abri a porta do lado do motorista e entrei. Sentei e dei partida.

 

- Para onde vamos senhorita? Perguntei.

- Não tenho a menor idéia. Conheço Uberaba, Caldas Novas e Belo Horizonte. Fora isso sou cega, surda e muda. Riu

- Teria alguma preferência de cidade ou Estado? Sou todo seu. Respondi rindo.

- Todo meu é? Cuidado que sou mineira e mineiras gostam disso.

- Use e abuse então. Respondi rindo.

- Que tal ir para o Nordeste? Ela me falou sorrindo.

- Pode ser, mas eu tinha pensando em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

- Interessante, mas porque lá?

- Porque de lá eu pretendia ir até o Paraguai que faz divisa para ver se isso era só no nosso país

- Ótima idéia. Vamos para lá então, afinal temos todo o tempo do mundo, do nosso mundo único e exclusivo e saiba que eu vou cobrar isso que me disse de ¨todo seu¨. Riu.

 

Ri também e em pensamentos disse a mim mesmo que aquilo não iria prestar. Helena era uma moça jovem, não devia ter mais que uns vinte e cinco anos. Linda, bem formada de corpo, bem humorada, mas acima de tudo era ou estava completamente livre e desimpedida e se fosse para começar uma nova raça, nada melhor do que começar com uma deusa em forma de mulher.

 

- Daqui a Campo Grande são em torno de setecentos e sessenta quilômetros. Mais ou menos umas oito horas de viagem e se sairmos daqui agora chegaremos lá no final da tarde e começo de noite. O que acha? Perguntei.

- Não está cansado? Afinal veio de Brasília para cá sem parar.

- Se bater o cansaço paramos em alguma cidade no caminho. Vamos?

- Vambora! Respondeu ela toda animada.

 

Soltei o freio e saímos. Pegamos a rodovia 497 e fomos em frente. Tinha no automóvel água, iogurte, água de coco, alguns salgados e algumas frutas. Todas acondicionadas em duas caixas de isopor com gelo a fim de conservar o conteúdo gelado.

  

Helena olhou e me parabenizou pela organização. Disse-lhe que quando resolvera rodar pelo país todo pensei e que sairia sem rumo e sabe-se lá o clima em que eu iria encontrar. Conversando e falando de nada com coisa alguma o tempo foi passando e nem senti o cansaço. Pretendia parar só para abastecer e seguir direto para Campo Grande, pois lá havia hotéis mais confortáveis.

 

- Você era casado até o sumiço de todas as pessoas? Perguntou-me Helena.

- Não. Era só. Respondi.

- Não tinha uma namorada, noiva, enrosco ou qualquer coisa assim?

- Não e você? Perguntei-lhe.

- Eu tinha um namorado que sumiu antes de todos sumirem. Deve ter me trocado por outra, mas ele sumiu e eu fiquei aqui. Sorriu.

- Ele era um louco. Respondi.

- Porque louco? Perguntou-me com cara curiosa.

- Trocar você por outra? Só sendo doido para fazer isso.

- Não entendi. Ela respondeu.

- Bem! Você é uma moça linda. Tem um corpo lindo. É desinibida. Desembaraçada. Rostinho de porcelana, ou seja, o sonho de qualquer homem.

- Poxa! Não sabia que achou tudo isso de mim. Respondeu ela ruborizada.

- Falei a mais pura verdade e agora quem vai dizer que o Senhor foi bondoso em me ¨dar¨ uma nova Eva sou eu. Ri.

- Isso não vai prestar. Respondeu ela sorrindo para mim.

 

Sorrimos e continuamos a viagem. O tempo pareceu voar e nem tive a necessidade de reabastecer, pois o automóvel além de ser muito bonito e confortável era também econômico. Chegamos a Campo Grande eram quase vinte horas.

 

- Conhece por aqui? Perguntou-me Helena.

- Conheci. Já estive aqui algumas vezes.

- Teve alguma namorada por aqui? Perguntou-me curiosa.

- Tive sim. Há alguns anos atrás.

- Hum! Então veio para ver se a encontrava?

- Na verdade não, mas não vou negar que iria até onde ela morava para ver se havia alguém lá, se bem que, ela se casou e se mudou daqui a anos pelo que eu soube.

- Ah! Então veio atrás dela mesmo. Perguntou-me com um lindo biquinho.

- Não precisa ter ciúmes. Ela é coisa de um passado distante. Respondi rindo.

- Ah bom. Então está bem. Onde vamos passar a noite?

- Tem alguns hotéis bons na Afonso Pena. Vamos para lá.

- Tudo bem. Você manda e depois mando eu. Riu.

 

Pegamos a avenida e fomos em direção aos hotéis do lado norte. Resolvi ir até o aeroporto para ver se encontrava alguma coisa e para variar nada. Tudo vazio. Tudo igual aos outros locais por onde passamos.

 

- O que está procurando? Perguntou-me Helena.

- Vim ver se encontrava algo ou alguém.

- Uai! Eu não basto para você? Quer encontrar mais uma?

- Não! De forma alguma. Você é tudo de bom, mas eu não podia deixar de ir lá olhar.

- Ah bom! Já estava achando que o ¨meu¨ Adão não estava satisfeito comigo. Riu

- Você é uma figura. De verdade gostei de você e não é apenas por você ser linda.

- E se eu fosse uma mulher feia, torta, vesga, manca, desdentada, você iria gostar?

- Bem se fosse a única alternativa iria amar ter te encontrado.

- Não tendo o cão iria com o gato mesmo não é seu safado? Riu.

- Quase isso, afinal eu também sou humano. Rimos juntos.

  

Paramos diante de um hotel que eu conhecia bem. Muitas e muitas vezes eu me hospedei naquele hotel. Descemos do automóvel. Pegamos algumas coisas e entramos no hotel. Tudo vazio e com as luzes acessas como em todos os outros lugares. Fomos até a recepção e perguntei-lhe que andar ela queria.

 

- Pode ser em qualquer um e afinal só tem três andares neste hotel mesmo.

- Vou pegar as chaves. - Que chaves?

- Ora! As chaves das suítes. Respondi.

- Porque suítes? Não quero dormir sozinha. Tenho medo de dormir sozinha.

- Vai querer dormir junto comigo?

- Dormir? Perguntou-me maliciosamente.

 

Captei a sua insinuação, mas não disse nada. Perguntei-lhe se ela desejaria jantar e ela me disse que estava com fome. Levei-a até a cozinha e preparei algo leve. Helena ficou surpresa ao ver-me preparando as coisas e mais ainda depois que terminamos de comer de eu ter deixado tudo em ordem.

 

- Nossa! Nunca imaginei isso.

- Isso o que? Perguntei-lhe

- Que eu iria encontrar um Adão tão organizado.

- Meu nome não é Adão. Respondi-lhe sorrindo.

 - Sei que não é, mas estamos no novo mundo. Riu.

- Bem se for para começar a germinar o novo mundo podemos mudar até os nomes. Não gosto de Abel e Caim como nome de filhos. Disse-lhe sorrindo.

- Nossa! Já está até escolhendo os nomes de nossos futuros filhos? Riu muito.

- Você está me fazendo bem mocinha.

- Você também a mim. Vamos subir? Perguntou-me ela.

- Vamos!

 

Com a chave nas mãos subimos. Escolhi uma suíte completa no segundo andar. Já havia me hospedado nela por algumas vezes quando passava por ali a trabalho. Subimos a escada e dei-lhe a mão. Helena a pegou e apertou-a com carinho. Chegamos a frente da suíte e abri a porta. Parei e não deixei que ela entrasse.

 

- O que foi? Perguntou-me ela.

- Me fala uma coisa.

- O que quer saber? Pergunte.

- Digamos que realmente isso seja um mundo só nosso. Que tenha sobrado apenas eu e você. Ai teoricamente estaríamos formando um novo mundo. Seria isso?

- Sim e não digo apenas teoricamente, mas sim oficialmente. Se isso acontecesse e eu sei que aconteceu e mesmo que ainda encontremos alguém, seríamos apenas eu e você e isso se você me quisesse é claro, mas porque me perguntou isso?

- Bem então seria agora, neste momento, a nossa lua de mel, concorda?

- Sim. Seria. Porque?

- Bem se é a nossa lua de mel vamos lá.

 

Nem deixei que ela me respondesse. Coloquei minhas coisas no chão e aproximando-me dela peguei-a no colo e levei-a para dentro. Helena ficou surpresa e passou seus braços por meu pescoço e se aninhou em meus braços. Entramos. Levei-a até a cama e carinhosamente a deitei ali, naquela imensa e macia cama. Ia me levantar para pegar as coisas que deixara lá na porta, mas Helena me segurou e colando seus lábios aos meus me beijou com suavidade.

 

Um beijo suave, calmo, mas prazerosamente o qual me deixou excitado. Beijei-a com carinho e ardor e depois de alguns minutos levantei-me e fui lá fora pegar as nossas coisas. Podíamos estar em um mundo teoricamente só nosso, mas eu mantinha uma mania de segurança o qual não conseguia me desvencilhar.

 

Peguei as coisas. Olhei para os dois lados do corredor. Entrei, fechei a porta e coloquei as coisas em uma cadeira. Voltei para Helena que me olhava com carinho.

  

- Não está cansado? Ela me perguntou.

- Um pouco, mas querendo tomar um banho porque estou suado.

- Ótima idéia. Será bom para dar uma revigorada em ambos. Sorriu.

- Vou encher a banheira de hidro. Só um minuto que já volto.

 

Fui até o toalete anexo à suíte e coloquei a banheira para encher. Ainda me sentia sem jeito, afinal conhecera Helena a menos de quinze horas. Ela era maravilhosa, brincalhona e não sabia até onde ela estaria querendo ir. Helena com seu beijo me deixara completamente excitado, mas dai a ela querer transar já era outra coisa. Pensava nisso quando ela me chamou.

 

- Vem aqui um pouco.

- já estou indo. Só um minuto.

 

Fechei um pouco o registro de água e voltei ao quarto. Tomei um susto. Helena havia se despido e estava enrolada em uma toalha, deitada na cama e deixava ver bem a beleza e a macies de suas pernas roliças. Fiquei ali parado olhando-a feito um bobo.

 

- O que foi? Nunca viu uma mulher enrolada em uma toalha? Perguntou sorrindo.

- Bem! Sabe! Sei! É! Bem!

- Deixa de ser bobo e vem cá. Respondeu-me sorrindo da minha cara.

 

Aproximei-me da cama e ela ficou me olhando. Sorria com uma suavidade que me fez esquecer de tudo e até de que o mundo havia de certa forma me abandonado e se ele, o mundo resolvera me abandonar, me deu de presente aquela maravilha de mulher. Aproximei-me dela e ela me disse...

 

- Porque não tira esta roupa?

- Excelente idéia. Respondi encabulado.

- Bem, se não quiser, tudo bem.

- Não quero o que? Perguntei maliciosamente.

- Tirar a roupa para tomar banho.

- Ah era isso?

- Claro. O que achou que fosse? Perguntou sorrindo.

- Nada! Não pensei em nada e é claro que não ia tomar banho de roupa né? Ri.

- Posso te ajudar a se despir? Perguntou-me.

- Pode! Respondi sem vacilar.

 

Helena se levantou, mas não sem deixar de abrir bem as pernas a fim de que eu percebesse que ela estava sem calcinha e se aproximou de mim. Fiz de conta que não tinha percebido, mas meu membro percebeu e se manifestou e ela percebeu isso também.

 

Ajudou-me calmamente a tirar a camisa. Soltou o cinto da minha calça e retirou-o calmamente. Depois se abaixou. Tirou meus sapatos e minhas meias. Levantou-se e baixou o zíper e retirou minha calça por completo. Acabei ficando apenas de cueca. Helena e abraçou e me beijou carinhosamente.

 

- Vamos tomar banho?

- Vamos! Respondi-lhe.

 

Eu estava completamente excitado. Helena olhou bem para o meu membro ainda por baixo da cueca e passou a língua pelos lábios. Peguei-a no colo e a levei até a toalete e deixei-a descer de meus braços apenas ao lado da banheira agora cheia.

 
 

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